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Beto Colombo

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A Águia e a Galinha

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Recentemente li o livro do teólogo Leonardo Boff. Gostei de uma metáfora e a repasso agora para você, meu leitor. Trata-se da metáfora da “Águia e da Galinha”.

Diz ela que, uma vez, certo homem que enquanto caminhava pela floresta, encontrou uma pequena águia. Levou-a para casa, colocou-a em seu galinheiro, onde logo ela aprendeu a se alimentar como as galinhas e a se comportar como elas.

Um dia, um naturalista que ia passando por ali, perguntou-lhe por que uma águia, a rainha de todos os pássaros, deveria ser condenada a viver no galinheiro com as galinhas. 

“Depois que lhe dei comida de galinha e a eduquei para ser uma galinha, ela nunca aprendeu a voar”, replicou o dono. “Se se comporta como uma galinha, não é mais uma águia”.

“Mas”, insistia o naturalista, “ela tem coração de águia e certamente poderá aprender a voar”.

Depois de falar muito sobre o assunto, os dois homens concordaram em descobrir se isso seria possível. Cuidadosamente o cientista pegou a águia nos braços e disse: “Você pertence aos céus e não a terra. Bata bem as asas e voe”.

A águia, entretanto estava confusa, não sabia quem era, e vendo as galinhas comendo, pulou para ir juntar-se a elas. Inconformado, o naturalista levou a águia no dia seguinte para o alto do telhado da casa e insistiu novamente dizendo: “Você é uma águia. Bata bem as asas e voe”. Mas a águia tinha medo do seu eu desconhecido e do mundo que ignorava e voltou novamente para a comida das galinhas.

No terceiro dia, o naturalista levantou-se bem cedo, tirou a águia do galinheiro e levou-a para uma alta montanha. Lá segurou a rainha dos pássaros bem no alto e encorajou-a novamente dizendo: “Você é uma águia. Você pertence ao céu e a terra. Bata bem as asas agora e voe”. A águia olhou em volta, olhou para o galinheiro e para o céu. Ainda não voou.

Então o cientista levantou-a na direção do sol. A águia começou a tremer, lentamente abriu suas asas e, finalmente, com um grito de triunfo, levantou voo para o céu…

Pode ser que a águia ainda se lembre das galinhas com saudade, pode ser que ainda ocasionalmente torne a visitar um galinheiro. Mas até onde foi possível saber, nunca mais voltou a viver como galinha. Ela era uma águia, embora tivesse sido mantida e domesticada como galinha.

Assim como a águia, alguém que aprende a pensar de si mesmo alguma coisa que não era, pode reformular o que pensava em favor de seu real potencial.

É assim como o mundo me parece hoje. E você o que pensa sobre a metáfora de ser galinha e ser águia?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 13/07/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 14/07/2011.
Leia artigos inéditos neste espaço a partir de março de 2012.
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4 Comentários para "A Águia e a Galinha"

  • jorge - 09/01/2012

    talvez um dia à águia volte,sobrevoe o galinheiro e ao menor descuido da galinha,com um voo rasante e com suas garras afiadas éla pegara sua presa,mas isso é a lei da natureza. Ao contrario das leis dos homens,que as águias do nosso pais estão disfarçadas de galinhas, e no meio desse imenso galinheiro sem dono e sem lei, estão abatendo suas presas e estarão sempre com suas garras bem afiadas.

  • Albertina Manenti Silvestrini - 14/07/2011

    Querido Beto, no texto percebemos que muitas pessoas, por medo de enfrentar o diferente, ou por achar que não tem capacidade, acaba aprendendo o jeito galináceo de ser, de pensar, de ciscar a terra, de comer o milho, de dormir em poleiros...e desconhece os vôos nas nuvens, o cume das montanhas, o frio das alturas, a vista se perdendo no horizonte, o delicioso sentimento de dignidade e liberdade...è preciso que as pessoas rompem barreiras e acreditem que são capazes. No momento em que foi levada a montanha, com certeza a pobre águia começou a cacarejar de pavor misturado a memorias que ainda moravam em seu corpo, fez as asas baterem a princípio em pãnico, mas pouco a pouco com tranquila dignidade, se abrem confiantes, reconhecendo aquele espaço imenso que lhe fora roubado. É importante que saibamos que todos nós temos nossas capacidades e peculiariedades e não ter medo de voar e enfrentar os desafios. É assim que eu penso.

    Estamosjuntos
    Albertina

  • Deisi - 13/07/2011

    Penso, que nós as vezes ,"na maioria", esquecemos do que podemos conquistar e nos limitamos a viver o dia a dia do mesmo jeito sempre. Principalmente se este estiver cômodo, sem nenhuma grande dificuldade que nos faça repensar quem realmente somos, e o que podemos conquistar.

  • Leandro Melo Silveira - 13/07/2011

    Beto.
    Seus textos, são muito legais.
    Parabéns.
    Todos os dias clico no seus pensamentos.
    Grande abraço, e até amanhã.


    Existem pessoas iluminadas, que nascem para evoluir e iluminar outras tantas que esta consiga chegar.

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