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Beto Colombo

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A Ditadura da Razão

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Johannes Kepler, cientista alemão do século XVI, foi um homem diferente em seu tempo. Estudou astrologia, matemática e astronomia. Para ele, Deus não havia colocado os planetas do jeito que conhecemos por acaso. Ele escreveu sua teoria acreditando que Deus era um grande Músico Geômetra e as regularidades matemáticas dos movimentos dos astros podiam ser decifradas de sorte a revelar a melodia que ele fazia os planetas cantarem em coro no Firmamento para o êxtase dos homens.

O que Kepler faz em relação aos planetas, outros filósofos e também cientistas fizeram com as plantas, as pedras, os animais, os fenômenos físicos e químicos, perguntando acerca de suas finalidades estéticas, éticas, humanas... Para ter valor, precisava ser respondido para que servia e assim, o universo inteiro precisava ter uma compreensão humana. Como Kepler, em relação aos astros, houve os que tentaram explicar a existência de Deus pela razão e assim por diante. O raciocínio finalista que vem lá dos tempos de Aristóteles estava de volta e para tudo tinha que ter uma explicação e tudo tinha que ter uma função.

Pensam que é diferente hoje? Existem casos que é exatamente assim. Na biologia, por exemplo, você vê um bicho com dentes compridos e na cabeça do biólogo vem a resposta “esse nasceu para ser roedor” e é assim para cada órgão do corpo, o coração serve para isso, o rim para aquilo, os pulmões... Mas diferente da biologia, nem tudo na vida precisa ser respondido somente pela lógica, pela razão, como se tudo na vida nascesse para ter somente função, finalidade. 

Parece-me que há séculos vivemos na ditadura da razão. A emoção pode até aparecer de vez em quando, porém comportadamente. A emoção precisa ficar no cabresto e controlada pela razão. Lembro-me de um pai dizendo para seu filho “aqui não é lugar para chorar, deixa para chorar em casa seu frouxo”. Certo e errado, ser ou não ser. Algumas pessoas que não têm como tópico determinante a razão sofrem com os racionalistas de hoje e o contrário também é verdadeiro.

Não é certo ou errado ser razão ou emoção, o importante para mim é saber que somos diferentes e que a individualidade de cada um precisa ser respeitada.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre isso?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 26/05/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 27/05/2011

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