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Beto Colombo

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A Festa de Babette

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Assistindo ao filme A Festa de Babette, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998, vem a tona um velho tema – o prazer e a culpa.

A história se passa na Jutlândia, Dinamarca, no século XIX, no auge do protestantismo. Lá vivia a família de um severo Pastor Luterano que enquadrava suas duas filhas entre igreja, casa e obras sociais. As jovens abriram mão de se casar e da carreira musical para se dedicarem ao rígido cristianismo protestante da época. O pai então morre e as filhas permanecem firmes nos ensinamentos do pastor. Porém, as emoções predominantes no vilarejo são o ódio, rusgas e picuinhas e por trás da pompa religiosa, o que havia era amargura e rancor.

É quando Babette chega na casa das filhas do pastos falecido. Babette, uma jovem chefe de cozinha francesa, fugida da Guerra Civil e pede hospedagem em troca dos afazeres domésticos. Anos depois, chega a notícia que Babette ganhou na loteria na França e com o prêmio oferece um jantar ao estilo francês a toda a congregação em homenagem aos 100 anos do pastor. 

Com medo do mito de que a culinária francesa usava ingredientes diabólicos como rã na manteiga, os nativos do vilarejo fizeram um pacto de não falar nada sobre os sabores da comida, pois para eles, comida servia apenas para alimentar o corpo. 

Vem o jantar com as maravilhas da cozinha francesa: queijos, codornas, trufas e tudo regado a champagne e vinho de Borgonha. Naquele clima, o pacto era lembrado: “Não temos paladar”. E o duelo interior entre o prazer e não prazer está presente e entre eles, aparece a prazerosa sensação da alegria de viver.

Este não é só um filme impactante, pois às vezes, no consultório, nos deparamos com partilhante que sente culpa. Em muitos casos até a culpa natural da própria existência, do “pecado original”.

Durante séculos, os cristãos se especializaram em ver culpa em tudo, até no que é bom e feito por Deus. No filme A Festa de Babette vê-se que os nativos estavam cheios de rancor e com medo de que o príncipe das trevas os fizessem perder o rumo de suas vidas.

No final do filme, o General, que na juventude foi pretendente de uma das filhas do pastor, faz um discurso sobre as oportunidades que se apresentam diante de nós, as encruzilhadas, as duas estradas que se abrem como do prazer e não prazer.

No meu entendimento, A Festa de Babette tem a proposta de união entre corpo e espírito, separados erroneamente por algumas religiões séculos atrás.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre culpa e prazer?
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1 Comentários para "A Festa de Babette"

  • Célia Costa Ferreira - 19/05/2012

    Este filme me inspirou a vencer os obstáculos de não saber cozinhar. Tinha vontade de fazer como Babete e fiz, no dia 08/12/2006. Lógico, sem a pompa do jantar que ela ofereceu, mas dentro dos limites de uma neófita na cozinha. Sem medos sensoriais que a comida proporciona. Um bom vinho alimenta o espírito e deixa a alma livre para vôos transcendentais.

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