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Beto Colombo

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A Morte e os Epicuristas

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A Morte e os Epicuristas

Querido leitor, aceite o meu fraternal e caloroso abraço. Hoje vamos enfocar a morte na visão dos Epicuristas.

Antes de falar especificamente sobre a morte, vamos dar o contexto dessa visão de mundo. Na era helenística, duas filosofias se destacaram por importância e influência: o epicurismo e o estoicismo. Hoje, como já mencionei, vamos refletir sobre o epicurismo.

O epicurismo tem sua gênese em Epicuro, que viveu na Grécia de 341-270 antes de Cristo. Este filósofo tinha como objetivo maior, libertar as pessoas do medo, não só da morte, mas da vida também. Ele ensinava todos a buscarem a felicidade e a realização em suas vidas privadas.

Interessante é que uma de suas máximas era "Viva Incógnito". E essa estava em desacordo com todas as ideias anteriores, que eram de buscar a fama e a glória. Para ele, o mais importante era buscar algo apenas superficialmente decente, como por exemplo, a honra.

O Epicurismo tentava abraçar todos os aspectos da existência, começando com uma visão física. Acreditava que tudo que existia no universo material eram átomos e espaço e nada mais. E como é impossível para átomos passar a existir do nada ou desaparecer do nada, eles são indestrutíveis e eternos. Para Epicuro, os objetos físicos são formados por combinação de átomos e assim, são efêmeros, sendo sua vida uma história de átomos que se juntam e depois se dispersam novamente.

Na visão do filósofo, nós mesmos estamos entre os objetos formados dessa maneira, um grupo de átomos sutis que se junta para compor um corpo e uma mente, na forma de um ser humano, cuja dispersão final é inevitável. Inevitável, acreditava ele. “Mas não deve ser temida”, aconselhava.

Para Epicuro, a entidade que somos deixa de existir quando morremos, portanto não existe ninguém que venha a estar morto. E sua lógica é bem simples: enquanto existimos não há morte, e quando há morte não existimos. Ainda acrescenta: "A morte nada é para nós". Para ele, qualquer um que aprende esta verdade, ficará liberto do medo da morte.

Quanto aos deuses, Epicuro deixa-os em segundo plano, mas não nega sua existência. Segundo o pensador, os deuses estão muito longe e, nesta posição, não têm a menor vontade de se envolver na confusão dos afazeres humanos.

Epicuro aponta como meta humana a boa vida nesta vida, a felicidade neste mundo. Para ele, devemos gozar nossos prazeres com moderação, embora nenhuma atividade prejudicial precise ser vista como proibida em si mesma.

Vale lembrar que quando o cristianismo entrou em cena, os epicuristas eram reprovados, excomungados. David Hume, no século XVIII, fez essa observação: “As questões de Epicuro ainda estão sem respostas. Deus quer evitar o mal, mas não consegue? Consegue, mas não quer? Consegue e quer? Então por que existe o mal?”

Talvez as perguntas de Epicuro ainda estejam sem respostas. Humildemente, hoje, eu posso perguntar: Existe realmente o mal? E você, o que pensa sobre isso?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 04/09/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 05/09/2012.

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6 Comentários para "A Morte e os Epicuristas"

  • Mhanoe Mendes - 04/09/2012

    Salve a cada um, em especial ao Daniel Tomazi. Muito interessante sua ponderação e convidativa ao raciocínio. Gosto do teu jeito de escrever, de pensar e, principalmente, de ser. Take care, dear friend.

  • carlota - 04/09/2012

    Sendo a Dualidade inegável para o Bem/Bom existir tem q haver seu contraponto, o Mal/Ruim. O Mal existe por definição.
    O monoteismo ocidental tem a visão dos castigos, do DeusPai justiceiro. As culturas orientais não tem este peso/culpa.
    Estas perguntas para um oriental teriam q ser reformuladas ao meu ver.
    Me percebo epicurista, mais light.

  • Ivy - 04/09/2012

    epícura era um doido varrido demente, aposto que na ultima hora clamou por perdão e por Deus

  • tiago duminelli - 04/09/2012

    ? Uma grande icognita.... eu particularmente acredito no BEM.

  • Daniel Tomazi - 04/09/2012

    Realmente é um artigo que nos faz pensar, assim como a questão sobre a existência do mal. Será que o mal, como disse Einstein, não é a ausência do bem? Ou seja, quando o "terreno" é preparado de forma a rejeitar o bem, o fruto colhido é o mal? Qual será que é mais cultivado o bem ou sua ausência?! Realmente nos faz pensar.

    Abraço!

  • Adauton luiz Deolindo - 04/09/2012

    Filosoficamente falando o mal é o mal e o bem é o bem, nós sabemos a diferença então porque fazemos o mal e não o BEM.

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