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Beto Colombo

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Querido leitor, que você esteja em paz. Victor Hugo, poeta e romancista francês, no auge do século XIX e das suas ações como ativista, levantou uma ideia interessante sobre a relação do homem com o próprio homem e do homem com os demais seres vivos, principalmente os animais. Dizia ele: “Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao homem; agora é necessário civilizar o homem em relação aos animais”. 

Não teve como não me lembrar do artigo intitulado “Galinhas”, da série Como o Mundo me Parece, veiculado no ano passado. Naquela oportunidade, lembro que um querido amigo enviou um e-mail onde fazia um comentário interessante. Escrevia ele: “Hoje observei um caminhão carregado de galinhas que iriam para o abate. Foi então quando pensei se ali havia sentimentos”. 

Qual não foi minha surpresa quando dias depois o mesmo amigo me enviou uma matéria do jornal Folha de São Paulo. Falava de uma pesquisa feita sobre o sofrimento dos seres vivos. De acordo com essa pesquisa, os animais sofrem ao verem seus semelhantes sofrerem e que provavelmente elas, as galinhas, sabem que vão morrer. Esses estudos foram feitos com galinhas, um dos animais comuns com menor quociente de inteligência. Até aqui, a ciência provou o sofrimento das galinhas em relação a empatia e preocupação. Tudo indica que as aves são capazes de uma forma primitiva de amor. 

O contraste do pensamento de Victor Hugo e as mensagens do meu amigo me levam novamente a fazer deslocamentos de toda ordem. Vou para um lado e observo métodos questionáveis na criação de frangos para abate e até para postura. Falo questionáveis para não dizer outra coisa. Vou para outro e vejo o uso desenfreado de hormônios e de produtos cujo único objetivo é o aumento de peso do animal: parece-me que o olho está só na balança, no cifrão, não está na saúde, no ser humano. 

Gurdjieff, líder espiritual e mestre de ascendência grega e armênia, que nasceu perto da fronteira da Rússia com a Turquia, expõe que, para ele, “não nascemos seres humanos, nos tornamos”. Tornamos-nos seres humanos na medida em que temos um relacionamento amoroso, cooperativo, ético não só consigo, mas com o outro, com a natureza, incluindo aqui todos os seres vivos, todos os animais. 

Impossível não deixar de mencionar Lúcio Packter, criador e sistematizador da Filosofia Clínica, que nasceu no sul do Brasil. Em uma de suas brilhantes aulas de filosofia disse que "provavelmente, num futuro breve, seremos conhecidos como animais que devoram seus semelhantes". E talvez, uma das grandes descobertas deste século seja da comprovação científica que todos os animais têm alma, não só o ser humano. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre animais?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 10/04/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 11/04/2012.

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2 Comentários para "Animais"

  • Giovani Alberton Ascari - 10/04/2012

    Beleza Beto. Tenho lido algo relacionado a este tema, a partir do filósofo Peter Singer, inclusive ele questiona o cristianismo (do qual faço parte) por afirmar que a vida humana é sagrada (e as outras vidas não são?), incluindo a prática de rituais na bíblia que envolvem o sacrifício de animais. Parabéns pela abordagem do tema. Abraço.

  • Charles Jacinto - 10/04/2012

    Bom dia, eu penso que os animais tem sentimentos, todo animal teme a dor e a morte, desde uma formiga até o elefante, todos zelam por seus filhotes e dão a vida se preciso for para defende-los do perigo.
    Acho vago demais dizer que fazem tudo isto por instinto.
    Charles

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