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Beto Colombo

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Apelidos

Querido leitor, que você esteja em paz! Hoje quero trazer o tema apelido para nossa reflexão. 

O interesse por este tema surgiu no final do ano passado quando fui a uma empresa de um grande amigo. E qual não foi minha surpresa quando perguntei pelo Tati e ninguém sabia dizer se tal pessoal trabalhava ali. A telefonista, bem intencionada, até fez outra ligação para uma profissional que estava há mais tempo na empresa e nada. 

No início achei estranho. “Será que errei de endereço?”, pensei. Mas não, sabia que estava no local certo pela placa luminosa na frente ao empreendimento. Não é possível, tem algo de errado nesta história. E tinha. 

Depois de um certo inconformismo da minha parte, já meio sem jeito, tentei dizer que se tratava do dono da empresa. “O que, o seu Joacirton?”, questionou ela. Foi quando me lembrei que se tratava do nome da pessoa em questão, embora praticamente não usasse. “Sim, o Joacirton”, respondi. “O seu Joacirton, só um instante”. Em poucos segundos já estava conversando com o Tati, digo, o seu Joacirton. 

Não tem como deixar de falar dos nomes que já são apelidos. Sim, ao invés de por nome e depois surgem os apelidos, já batizam direto com o apelido. É o caso da amiga Zezinha, da Nina e o Nando. Se desse para retroagir, poderia sugerir isso para a mãe do meu amigo, o Tati, e até para meus pais, assim, ao invés de Albertino Colombo, seria, definitivamente, desde o nascimento, o Beto Colombo. 

Esta experiência com o Tati me fez refletir sobre nossos papéis existenciais, sobre nossos diferentes nomes, na verdade, apelidos que se transformam em nome e acabam, às vezes, nos levando a situações embaraçadas. 

Conheço pessoas que em casa tem um nome, na escola tem outro, na academia de lutas marciais outro, no trabalho outro e quando a mulher está brava tem outro nome, nesta situação, geralmente é o nome completo. Completíssimo! Quando ouve seu nome completo, a coisa está problemática. No linguajar jovem: “Sujou!” 

Em um dos seus brilhantes textos, cujo título não poderia ser outra se não “Apelido”, Luiz Fernando Veríssimo defende uma tese, a de que o que falta para qualquer relacionamento dar certo é o apelido. E vai logo avisando: Não valem apelidos já existentes, de infância. 

Para Veríssimo, o apelido é uma forma de você tomar posse de outra pessoa. Dos dois anularem suas identidades anteriores e assumirem outras, só deles. Por isso, a seu ver, a troca de apelidos entre namorados deveria ter a solenidade de um batizado, sem padre, nem testemunhas. Deveria ser um sacramento secreto, um ritual particular de apropriação mútua, para toda a vida. Uma união só é indissolúvel com apelidos. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, tem ou teve apelido?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 17/04/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 18/04/2012.

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2 Comentários para "Apelidos"

  • jorge - 21/04/2012

    é muito legal ter apelido e poder chamar e zoar os amigos com apelidos, tem o binho,o baixinho,o badanha,o juca bala,o boizinho,o gaucho,o paulista,o maguila,o foguinho,o zé baga,o birruga,o cueca,o zé,o gigante,o musquito,o start.o cabelinho,o totonho...são muitos e é muito legal ter a liberdade de chama-los pelos apelidos afinal nós somos grandes amigos ....um grande abraço do Dódi.

  • Albertina Manenti Silvestrini - 17/04/2012

    Olá Beto, tudo bem. Sempre tive apelido, e muitas vezes no colégio, quando a professora fazia a chamada e chamava Albertina , muitas vezes não respondia por ter meu apelido tão incutido que é Bel, o qual permanece até hoje. e eu adoro.

    um abraço
    Albertina (BEL)

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