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Beto Colombo

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As Cinzas do Vulcão

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Querido leitor, que você esteja bem. Hoje vamos refletir sobre o que um fenômeno tem a ver com nossa vida: as cinzas do vulcão e a fragmentação.

Os ensinamentos budistas nos trazem a tona dois conceitos, no mínimo interessantes, nos dias de hoje: a fragmentação e a impermanência. Estes, se vivenciados intensamente, têm oferecido uma vida sóbria e harmoniosa para muitas pessoas.

Impermanência, como já diz o nome, é não permanecer como está, ou mudança. Diz o ensinamento budista: para cada existência, a verdade básica é que tudo muda. De acordo com este ensinamento, quando percebemos a perene verdade de que "tudo muda" e encontramos serenidade nisso, descobrimo-nos no nirvana. A filosofia clínica também nos instrui sobre a plasticidade do ser humano.

Ao contrário da impermanência, que é simples e profunda, a fragmentação parece ser mais fácil. É só olhar para a geografia, por exemplo: o homem dividiu o planeta em continentes, em países, em Estados, em cidades, em bairros, em ruas, em casas, em quartos... Ou seja, em fragmentos.

Outro exemplo. Olhemos a medicina, quantas especialidades? Se não sabemos direito o que temos, também não sabemos para quem recorrer. Dia desses, liguei para a secretária de um ortopedista dizendo que queria uma consulta, pois estava com um problema no joelho. Ela disse que o médico em questão só atendia pé e me encaminhou para a secretária do médico do joelho. Fui a minha dentista para fazer uma profilaxia e, depois disso, ela me encaminhou para um endodontista, um especialista em tratamento de canal dentário. Surpresa! Finalizado o tratamento de canal, fui encaminhado a um ortodontista para encaixar a mordida... Fragmentaram até nossa arcada dentária.

Sobre fragmentação não tem certo ou errado, bom ou ruim.  Provavelmente, foi graças a ela que chegamos nessa expectativa de vida atual. Contudo, a fragmentação não deve perder a perspectiva do todo. Senão vejamos: o todo está na parte, mas numa mente fragmentada, o todo não está na parte.

Talvez o exemplo das cinzas do vulcão do Chile, que recentemente chegaram ao sul do Brasil, novamente seja esclarecedor. O que as cinzas de um vulcão de outro país tem a ver comigo? E a fronteira?


As cinzas do vulcão deixaram o Chile, atravessaram a Argentina e chegaram ao sul do Brasil trazendo transtornos e prejuízos financeiros, além de prejudicar a saúde das pessoas. Uma fuligem grossa formou uma camada diferente em cima dos capôs dos carros, provocou cancelamento de voos...

Este exemplo talvez seja uma prova inconteste de que a fragmentação é mais um fenômeno mental do que real. Afinal de contas, estamos todos interligados, de um jeito ou de outro, quer queiramos ou não. Uma borboleta que bate asas no Japão pode provocar um tufão nos Estados Unidos. Um vulcão entra em erupção no Chile e pode cancelar voos internacionais em toda a América Latina, provocar doenças no Brasil.

E como ousamos dizer que existem fronteiras? 

É assim como o mundo me parece hoje. E para você, onde está a fragmentação?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 17/11/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 18/11/2011

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