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Beto Colombo

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Autoridade de Deus

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Deus não comanda mais a vida das pessoas como comandava na Idade Média. Nós não consultamos mais Deus para tomar decisões em nossas vidas. Deus está aí, está vagando por aí, mas na realidade ele é apenas uma autoridade invisível.

Quando Nietzsche escandaliza o mundo dizendo que “Deus está morto, nós o matamos”, ele não está pregando o ateísmo, ele apenas está constatando a perda da força da religiosidade, mas não a perda da força da religião. A força da religiosidade é você conferir a uma entidade o poder sobre você. A de você ter sua vida ligada a isso. 

O que Friedrich Nietzsche queria dizer é que as pessoas não são tão crédulas como elas se dizem ser.

Quantas pessoas que você conhece, que se diz religiosa, consulta Deus para tomar suas decisões? Um biólogo não invoca maus espíritos para explicar epidemias, nem os economistas para justificar a inflação. 

O canto Gregoriano, a música de Bach, as telas de Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel, a catedral Gótica, a Divina Comédia, todas essas obras são expressões de um mundo que vivia a vida temporal sob a luz e as trevas da eternidade. 

Um exemplo do que Nietzsche escreveu está na arte. Basta você observar a arte medieval e verá que na Idade Média a arte era sacra e na Idade Moderna a arte migra para o surrealismo. Sai a Teologia e entra a poesia, não tem mais a ver com a arte sacra. Ela se liberta. Particularmente não vi no último século uma obra se quer famosa criada com enfoque religioso, ao contrário da Idade Média, onde tudo ou quase tudo era sacro.

Outra coisa é a Ciência Medieval, que era uma ciência cuja a teologia está sobre ela, reina sobre ela, enquanto que se você hoje entrar numa universidade moderna vai constatar que a teologia desaparece, num determinado momento sobe a filosofia, depois desce também a filosofia e sobe as matérias técnicas, engenharia, medicina, direito. As matérias operacionais são as que comandam as universidades hoje.

A perda da força da religiosidade é a perda da força de Deus. Para Nietzsche Deus está definhando e morrendo, é questão de tempo. E assim a religião passa a ganhar um aspecto de hipocrisia, você fala dela, mas não tem nenhuma ligação interior com ela.

Diferente da religiosidade, a religião está aí com uma vitalidade até incompreensível, mas fora do mundo da ciência, das fábricas, das usinas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro. É compreensível que poucos pais sonhem com a carreira sacerdotal para seus filhos...

Para nossa sociedade, confessar-se religioso hoje equivale confessar-se habitante do mundo encantado e mágico do passado. 

O grande filósofo, teólogo e psicanalista Rubem Alves escreve que para estas perguntas: Deus existe? A vida tem sentido? A morte é minha irmã?. A estas perguntas a alma religiosa só pode responder: “Não sei. Não sei. Mas desejo ardentemente que assim seja e me lanço inteiro porque é mais belo o risco ao lado da esperança que a certeza ao lado de um universo frio e sem sentido...”. Eu comungo com Rubens Alves.

Para Nietzsche Deus está morto, nós apenas esquecemos-nos de enterrá-lo. Isso era assim para Nietzsche. E para você Deus está morto?

Estamos juntos
Beto Colombo
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Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 24/03/2010

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3 Comentários para "Autoridade de Deus"

  • Telma - 04/10/2010

    ...Todo joelho se dobrará e toda lingua confessará
    que JESUS CRISTO é o SENHOR..., ELE É DEUS

  • Wellington Almeida - 25/03/2010

    este artigo mostra a nossa distância de Deus, assim como está escrito em salmos 14:2 que Deus olhou para a terra e não tinha um sequer que buscasse a Deus, o ser humano estava imudo, destituido da graça de Deus, portanto estamos perdendo o foco do real sentido da vida, pois quando buscamos os nossos propríos interesse, acabamos perdendo a nossa referencia maior, pois somos criado para vivermos para Deus e também para os outros, fico feliz em ter pessoas com com este pensamento.

  • Sandrelly Gonçalves - 25/03/2010

    Deus é tudo na minha vida, assim que me acordo entrego minha vida a do meu filho e do meu marido em suas mãos, pois ele é quem cuida de mim e de toda minha familia.

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