Ir direto para o Conteúdo

Beto Colombo

Artigos

Bananeira que já deu cacho

Deixe um comentário

Vejam o e-mail que recebi do Rodrigo, meu filho caçula.

Olha só pai, no feriado fui à casa da Malu (namorada) e o tio dela me convidou para ir até o bananal buscar bananas. Quando chego lá, ele começou a derrubar os pés de bananeiras para colher os cachos de banana. Enquanto eram somente pés altos fiquei de boca fechada, mas quando ele derrubou um pé baixo que dava para cortar somente o cacho sem derrubar a árvore, fiquei indignado e disse: Bicho, tu vais acabar com o bananal! Para de derrubar as árvores. Foi quando descobri que as bananeiras dão apenas um cacho e que depois que elas param de produzir devem ser cortadas para pararem de sugar adubo e água das outras bananeiras que ainda não produziram.

Em nossa empresa temos um colega de trabalho muito querido, chamado “Seu” Inésio, ou Colombinho como é carinhosamente conhecido. O “Seu” Inésio começou sua jornada de trabalho pelos anos 60 nas lavouras do pai, aos 18 anos foi trabalhar nas minas de carvão, se aposentou cedo e, não conseguindo ficar parado em casa, veio trabalhar conosco. Numa escola interna em parceria com o Sesi, ele voltou a estudar, terminou o ensino fundamental e neste ano terminou o ensino médio. Dias desses, tomando um cafezinho com ele, descobri que ele está fazendo um curso de informática.
Questionei-o porquê. Disse-me ele que vai precisar para os trabalhos na universidade que pretende cursar.

O “seu” Inésio já passou dos 60 há algum tempo e busca o aprendizado contínuo. Não para ganhar mais dinheiro, apenas para realização pessoal, disse-me ele.

No consultório me deparo com algumas pessoas que alegam que já produziram o suficiente e que agora estão aposentadas, que não buscam muito mais na vida a não ser “ir levando”, “deixo a vida me levar”, disse uma delas “mas está difícil”. “Minha vida virou uma rotina, saio de casa, vou para o bar, volto, almoço, vou ao shopping, tomo um cafezinho, retorno para casa, só muda nos domingos, quando vou à Igreja, faço exatamente as mesmas coisas há mais de 10 anos, me sinto um inútil e não consigo mudar isso”.

Em filosofia clínica chamamos esse tópico de padrão e, às vezes, ele pode estar ligado a uma armadilha conceitual.

Quanta diferença com a história do “Seu” Inésio. Sua busca agora é cursar uma universidade, é uma realização pessoal.

Para alguns, o que vier agora é lucro, e não há nada de errado nisso, mas se esse não é o seu caso, então quais são as suas buscas? Para onde você quer ir? Qual era o seu sonho de adolescente? Esse sonho continua guardado? Às vezes temos várias buscas, umas mais fortes, outras mais fracas. Suas buscas estão ligadas ao crescimento pessoal, espiritual, profissional, familiar, com o planeta, com sua saúde, afetivo, sexual? Há ainda aqueles que desde cedo têm apenas uma busca e correm atrás desse sonho, como aquele craque de futebol. Para outros, a busca modificou-se, evoluiu.

O “Seu” Inésio sabe de suas buscas. E você ainda persegue suas buscas ou é bananeira que já deu cacho?

Estamos juntos
Beto Colombo
_______________________________________________________________________
Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 10/06/2010.

Voltar para artigos

Deixe um comentário

Anjo Tintas e Solventes

Beto Colombo ©. Todos os direitos reservados

Desenvolvimento Burn web.studio
Carregando Dados...