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Beto Colombo

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Querido leitor, que você esteja bem. Nosso tema para o artigo de hoje é sobre carnaval, embora já tenha passado, mas é sempre oportuno refletir sobre um tema tão interessante.

No quiosque do Carlinhos, a beira-mar, ponto de encontro dos moradores que passam as férias na praia, a conversa da sexta-feira de carnaval era pra ver quem gostava e quem não gostava de carnaval. Observo pessoas novas na roda e outras já conhecidas, mas todos falam como se fossem íntimos há anos.

Com ouvido atento, percebia o direcionamento de um banhista que queria convencer que aqueles que questionavam o carnaval era simplesmente um pré-conceito. Para este, por ser uma festa popular e genuinamente brasileira, deveria ser valorizada por todos que se dizem patriotas. 

Observei aquilo tudo com interesse e curiosidade e, agora, a partir daquela situação, proponho uma reflexão: Festa genuinamente brasileira e popular, será? A resposta é não, não é. Revendo um pouco a história, lembramos que o carnaval surgiu na Europa, na era vitoriana, e foi se alastrando pelo mundo afora se adaptando a cada cultura. Há carnaval nos cinco continentes, na África, na Ásia, nas Américas, na Europa e na Oceania.

Se há carnaval em todos os continentes geográficos do planeta terra, como o carnaval, então, é uma festa genuinamente brasileira? E mais: Popular? 

Tenho minhas dúvidas, pois muito se fala hoje em camarotes vip’s, abadás, trios elétricos com cantores famosos que cobram fortunas para divertir os foliões, pacotes fechados em hotéis e pousadas com preços acima do praticado durante o ano, viagens a cidades com festas famosas, tudo envolve muito dinheiro. E os desfiles das escolas de samba? Muito luxo, ingressos caros, comerciais lembrando que a festa vai começar. Sem contar a distribuição concentrada neste período de preservativos e folders tentando orientar e conscientizar sobre os cuidados que se deve ter nestes dias de muita festa e alegria.

Com certeza, muito dinheiro público é gasto para garantir que a festa aconteça, patrocínios de artistas, organizações de festas de rua, mega estruturas preparadas para atingir o sucesso. Ambulâncias e policiais são dois exemplos, pois tudo fica organizado para atender foliões bêbados e valentões. E a população, quando precisa de cuidados com saúde e segurança durante todo o ano, muitas vezes sofre nesses momentos, com medo e insegurança.

A pergunta é: quem ganha dinheiro com tudo isso? As cervejarias, os trios elétricos, cantores, empresários da área? Penso que sim. O resto é prejuízo e sobra para o poder público. Repete-se aqui a máxima da república romana do “pão e circo”.  Essa ilusão de garantir o circo, muitas vezes prejudica ainda mais quem não tem nem pão na mesa todos os dias.

Mas os prejuízos não param por aí, ficando boa parte da conta para os cofres públicos depois das festas; a propósito, não sei se alguém fez essa conta: o socorro às vítimas de acidentes que aumentam nesta época do ano, gastos com hospitais e remédios, garotas grávidas, bebês indesejados, doenças sexualmente transmissíveis...

Talvez o carnaval já tenha sido uma festa popular, mas isso foi há bastante tempo.

Isso é assim para mim. E você, o que pensa sobre o carnaval?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 22/03/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 23/03/2012.
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2 Comentários para "Carnaval"

  • julio - 19/04/2012

    bom dia!
    Quero dizer que concordo com cada palavra que esta escrita acima, e digo mais, se tivesse palavras a altura para descrever minha endignacão quanto a essa festa ridicula escreveria agora! Mas acho que faco parte de uma minoria que não gosta dela, por isso vamos deixar assim. Até gostava a alguns anos atras quando ainda morava na praia onde nasci e morei atë meus 28anos, quando naturalmente se tratava apenas de mais um feriado prolongado e uma continuacão do verão, sem trio elétrico nem aquelas musicas baianas chatas e com versinhos repetitivos, sem falar que hoje os sons altomotivos tomam conta das ruas, todos juntos ao mesmo tempo, cada um com suas peculiaridades, axé, funk, sertanejo,etc, todos em um volume ensurdecedor e um repertório de péssimo gosto! Sem falar também, mas ja falando, no comportamento absurdo das pessoas que pensam que porque é carnaval está tudo liberado. Existem maneiras muito melhores e saldaveis de se buscar a felicidade! obrigado!

  • Vinicius - 22/03/2012

    Bom dia!
    Tenho 34 anos e não sou, vamos dizer assim, um praticante do carnaval, muito pouco assisto os desfiles na TV e até acho bacana, eu na verdade utilizo esses dias para visitar meus pais que não são daqui da região. Porém, não posso concordar com os comentários a cima, será que o povo não tem o direito a circo? O dinheiro público é para ser gasto com o povo e de toda a maneira, devemos sim é combater essa corrupção nojenta que consome o nosso suado dinheiro, se pudesse dizer onde o governo devará gastar o dinheiro do meu imposto a lista seria grande, não precisaria nem dizer o básico, seria na educação, mais um pouco na educação, saúde, segurança etc, etc, mas também teria uma parte para ser feliz, também quero circo.
    Abraços a todos.

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