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Beto Colombo

Artigos

Há algum tempo venho refletindo sobre um dos sentidos mais importantes dos seres humanos, que é o olfato, o mais primitivo e intrigante dos sentidos, e com certeza o menos conhecido pela ciência. No bom português, o cheiro.

Neste processo de evolução da humanidade, ao estudar um pouco mais o desenvolvimento deste sentido, percebemos que os demais sempre passam pelo tronco do encéfalo, e é a partir daqui que as informações exteriores são distribuídas para serem reconhecidas internamente.

Já o olfato não, ele não passa pelo tronco do encéfalo e, sendo assim, não é necessário atravessadores. Ele já vai direto para o córtex olfatório, onde as informações odoríferas são interpretadas, identificando o cheiro que entrou pelo nariz. Portanto, o olfato é o sentido que mais se sente rapidamente.

Mas meu foco neste comentário não é o de fazer um tratado sobre o olfato. Quero refletir sobre a cultura quase que institucionalizada contra os perfumes naturais das coisas. 

Sabemos que o cheiro provocou uma evolução do cérebro e uma transformação no ser humano. E não foram os cheiros químicos, os artificiais que provocaram esta evolução. Por isso tenho refletido sobre os cheiros que estamos encontrando em nossas casas, trabalhos, comércio, nos cheiros das mercadorias, alimentos e até pessoas. 

Refletindo sobre isso, concluo por hora, que estamos nos afastando dos nossos cheiros, dos nossos odores e tornando os cheiros comprados como nossos. Lembro disso quando usamos perfumes, desodorantes, desinfetantes. Existem empresas que, inclusive, colocam cheiros e até sabor artificial nos alimentos em detrimento do natural.

Onde vamos parar? Será que num futuro breve, de tanto nos afastarmos dos cheiros naturais, teremos sensibilidade para sentirmos os cheiros verdadeiros? Ou desenvolveremos nossas sensibilidades só para os cheiros químicos, artificiais e comprados?

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre cheiros?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 04/08/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 05/08/2011
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1 Comentários para "Cheiros"

  • Eduardo de Souza Espindola - 24/08/2011

    Boa tarde Beto

    Não te conheço, sou de Capivari de Baixo, proximo a Tubarão. Sempre que posso ouço Como o Mundo me Parece, e consigo desta forma assimilar e levar para minha vida profissional e particular muitos ensinamentos e questionamentos que tem me ajudado muito.
    Parabéns pelo belo trabalho que você vem fazendo, precisamos de programas desse nível, que agregam algo em nossas vidas.

    Eduardo Espindola

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