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Beto Colombo

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Comendo e Comprando

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Comendo e Comprando

Queridos leitores, minha saudação. Hoje, aqui na coluna de “Como o Mundo Me Parece”, quero trazer um caso que vem sendo pouco explorado na mídia nacional, mas que, a meu ver, deve ser extensamente comentado. Trata-se do caso dos moradores de rua que encontraram uma boa quantidade de dinheiro na rua e devolveram à polícia.

O fato ocorreu na madrugada de segunda-feira, 9 de julho, na zona leste, em São Paulo. Eram 3h30 da manhã quando os moradores de rua Rejaniel de Jesus Silva Santos e sua esposa Sandra Regina Domingues, que dormiam embaixo de um viaduto, ouviram um barulho estranho na rua e foram verificar o que ocorreu. No caminho, eles encontraram um saco com muito dinheiro. Na verdade, depois souberam que somava R$ 20 mil.

“A primeira coisa que me veio à cabeça quando vi todo aquele dinheiro foi chamar a polícia”, contou o morador de rua. Pensou e fez. Ao chegarem e receberem o pacote com todo o dinheiro intacto, os policiais inicialmente não quiseram acreditar no que estavam vendo. Depois se limitaram a um “parabéns pela honestidade”.

Casos como estes são muitos e ocorrem a cada dia em nosso país e em todo o planeta. Só que não são, ou poucos são divulgados, infelizmente. A interpretação, ao senso comum, parece que notícia boa não vende, exemplos bons não sensibiliza, enfim, parece que há uma grande orquestração para divulgar a insegurança, a desordem, o pânico geral na sociedade.

Estudando um pouco mais e melhor o comportamento humano, sabemos que muitos veículos de comunicação, e aqui incluo todos, como rádio, televisão, jornal e até a internet, têm interesse de repassar este clima de insegurança e medo. Parece-me, por hora, que assim as pessoas mais suscetíveis a manipulação vão combater este sentimento fazendo duas coisas: comendo e comprando.

Talvez seja por isso que ao invés de divulgar o exemplo desse morador de rua, a grande mídia enfoca o assassinato do empresário, esquartejado pela esposa. Em uma semana, mesmo quem não quis, soube em detalhes desse caso; conheceu a empresa, o assassinado, a assassina e todo a sua vida pregressa. De desconhecida, de uma semana para outra, a mulher foi comentada em muitas rodas do Brasil; virou celebridade, ou melhor, celebridade negativa.

O que dizer do morador de rua, você sabia do seu feito? Mais do que apontar as mazelas da nossa sociedade, é importante que ressaltemos os avanços. Mais do que expor os problemas, que reconheçamos as soluções. Mais do que se falar das sombras, que também apontemos as luzes. Exemplos bons não faltam, basta apenas querer vê-los e reconhecê-los.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre ressaltar os bons exemplos?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 03/08/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 04/08/2012.

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4 Comentários para "Comendo e Comprando"

  • João Batista - 04/08/2012

    Caro Beto,
    Infelizmente! Esta é uma das muitas manifestações do mundo real em que vivemos!
    Do momento histórico de produção, onde aqueles que não percebem a lógica das relações sociais, não estão atentos às oportunidades de acumulação de recursos e na sutileza da conquista do bem estar mundano. E assim perecem à margem do desenvolvimento e na luta por dias melhores. É o momento planetário onde ricos são consequências de pobres e vice-versa, em maior ou menor grau, dependendo das experiências históricas das nações.
    Momento da lógica perversa, que torna ricos e pobres de recursos materias e intelectuais, doentes e infelizes. Momento da "farinha pouca, meu pirão primeiro", como dizem na linguagem regional.
    Talvez precisaremos de milhares de anos e centenas de gerações para compreendermos que é na intrínseca e imperceptível diversidade humana que está a dependência uns dos outros e a base da troca mercantil simples e suficiente para a harmonia e felicidade de cada um.
    . . .enquanto isso, enquanto o salto não acontece, o enígma permanece atuando sobre as cabeças de cada vivente:" decífra-me ou te devoro!"

    João Batista - Florianópolis - 04.08.2012

  • Adauton luiz Deolindo - 03/08/2012

    Ola... Normalmente quem gosta de bons exemplos são pessoas boas as más vão por outro caminho. Neste caso temos que escolher o nosso.

  • Geremias Emerim - 03/08/2012

    Caro Beto, saudações.

    Pelo que li a respeito, o casal somente devolveu o dinheiro por medo de serem presos. Será que se não houvesse nenhuma chance de alguém descobrir que o dinheiro estava com eles a reação seria a mesma? Será que o dinheiro foi devolvido puramente por honestidade ou o receio falou mais alto?

    Infelizmente hoje em dia as pessoas tratam honestidade como uma virtude, sendo que pra mim, honestidade é uma obrigação de todo cidadão.

    Abraços.

  • Daniel Tomazi - 03/08/2012

    Realmente, as notícias "banhadas em sangue" parecem ser tão bem recebidas pela população. Como disse o Sábio Salomão, "não havendo lenha o fogo se apaga". Parece que a própria mídia, como muito bem colocado no artigo, tem fomentado esse tipo de sentimento hostil na população enquanto que as boas notícias, que deveriam ser propagadas para que houvesse mais exemplos a serem seguidos, são escassas!

    Forte abraço!

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