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Beto Colombo

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Conversa Teológica

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Encontrei o Jorge de Lucca, um colega de colégio, e hoje colega de trabalho. Disse-me ele: 

- Como explicar para meu filho a existência de Deus? Tudo é uma confusão. A ciência diz que viemos do macaco; a religião diz que Javé fez um boneco de argila, soprou e deu vida, logo somos filhos de Deus. Já ouvi dizer que viemos do mar, logo somos filhos da água. Noutro dia, li sobre Darwin que fala da teoria da evolução. Já ouvi falar do big bang. O que eu digo para meu filho, Beto?

Às vezes Jorge, a melhor resposta é “não sei”; ou então dar um forte abraço e ficar em silêncio. As religiões são tagarelas demais, talvez por isso acabam nos confundindo. 

Olha, há tantas respostas. Poderíamos passar uma manhã falando sobre Anaximandro, que disse que o princípio (arché) de tudo é o ar. Talles de Mileto diz que o princípio é a água. Heráclito disse que o (archê) princípio é o fogo e provavelmente ficaríamos dias nesse dilema.

Por hora Jorge, mesmo Darwin que escreveu sobre a evolução das espécies não se propõe a negar a existência de Deus.  Ele apenas tenta explicar a grande diversidade das espécies no mundo com base meramente no que é observado na natureza.

Darwin concluiu sua obra “A Origem das Espécies” com o seguinte texto: “Há uma grandeza nessa visão da vida, com seus vários poderes, tendo ela sido lançada como sopro da vida originalmente pelo Criador em poucas formas e elas foram evoluindo”.

Darwin expressou acreditar na origem divina, Aristóteles e Sócrates estavam convencidos da necessidade da existência de Deus, juntamente com Nicolau Copérnico. Galileu Galilei, Rene Descartes, Isac Newton, Joannes Kepler, entre tantos outros. Diante de tudo isso Jorge, e independente das convicções, quase todos os cientistas atuais nunca demonstraram a existência ou inexistência de Deus.

E a resposta para teu filho? Pois é, voltamos ao começo. E se tiver uma explicação, uma resposta, para você, qual seria?

Rubem Alves, em seu livro “O que é Religião”, pergunta: Será que Deus existe? A vida tem sentido? O universo tem uma face? A morte é minha irmã? A estas perguntas a alma religiosa só pode responder “não sei, não sei, mas desejo ardentemente que assim seja e me lanço inteiro, porque é mais belo o risco ao lado da esperança que a certeza ao lado de um universo frio e sem sentido...”

E eu? Se eu creio em Deus?  É claro que sim, porém, perante a tantas religiões tagarelas e outras com o monopólio das palavras, a melhor resposta é eu me calar.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre Deus?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 15/07/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 16/07/2011
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5 Comentários para "Conversa Teológica"

  • Jorge de Lucca - 08/08/2011

    Bem lembrada essa conversa. Mas é claro que Darwin, Kepler, Newton ou o que quer que seja estão todos errados. Mas você vai conseguir ensinar o seu filho com o tempo e com a vara. (Lembre-se do eclesiástico: não poupe seu filho da vara, para não se arrepender com ele mais tarde.)

  • Albertina Manenti Silvestrini - 19/07/2011

    Querido Beto, gosto de falar de Deus, creio muito neste ser supremo. Para mim falar de Deus é falar de paz, luz, energia, com ele aprendi realmente que temos que ter peso e medida em tudo...menos no amor .

    Estamos juntos
    Albertina

  • jorge - 17/07/2011

    parabens e obrigado beto. .

  • Leandro Melo Silveira - 15/07/2011


    Deus e eu.
    Beto, se tem um tema que eu gosto de falar é sobre Deus.
    Vou contar um breve relato da minha vida para depois dar minha opinião, sobre Deus, para que se compreenda sobre o que eu penso nasceu de uma historia arraigada de duvidas e questionamento, que me levaram-me a criar e crer no meu Deus.
    Pois bem vamos a um breve histórico de minha vida.
    Sou filho da bela cidade de Laguna, nasci ao meio dia num dia chuvoso em 06/02/1976, fruto do amor de duas pessoas que se amavam.
    Em 1982, chegando da creche onde estudava, meu querido PAI e amada MÃE, até então com 3 filhos, eu o primogênito com 6 anos, meu irmão 4 e minha irmão com um ano e meio, chamaram-me a beira da cama e disseram."filho eu é tua mãe não nós amam mais, vamos nos separar, com quem você quer ficar". Até essa data em nenhum momento os dois haviam se discutido ou ferido o sentimento um do outro, sempre foram exemplos para mim, como são até hoje.
    Mas o problema é que eles me ensinaram a rezar e acreditar em um Deus maravilhoso e perfeito e que para ele tudo é possível.
    O que fiz, comecei a rezar, rezava todos os dias e nada da minha mãe e meus irmãos voltarem, ai comecei a questionar a existência DAQUELE DEUS que me encimaram a crê, não atendia os apelos de uma criança de 6 anos de idade, que de um dia para o outro perdeu sua família. Mas a gota d`água, foi em 1984, quando meu tio "o mais querido da família", iria se casar.
    Foi toda a família para Florianópolis, para o casamento, eu nesta época morava com minha querida avó, tudo certo até a volta, que ficou marcado com um terrível acidente na ponte do morro dos cavalos, ali eu começaria a ver o mundo e Deus de forma mais realista. Um opala branco e um ônibus da Paulo tur se chocam de frente, com 5 pessoas dentro do carro, nas quais dois casais, (meus tios) e eu. Três vidas ceifadas pelo violento acidente.
    Até ai tudo normal, se não fosse a situação de que envolveu os finados, das 3 vitimas, duas formavam um lindo casal e tinha deixado em casa duas crianças, uma de 10 e outra de 4 anos.
    No momento do acidente dentro do carro eu 'tive' um sinal, que me disse que três pessoas haviam morrido antes mesmo de os paramédicos fazerem o diagnostico.(isso é energia)
    Foi neste momento em que Deus para mim passou a ter outro sentido.
    Porque perguntei a mim mesmo dentro do carro, protegido divinamente contra dor das varias lesões que me colocou em coma durante uma semana e por longos 3 meses na UTI.
    “ó meus Deus, tu que estão justo o porque levastes meus tios e não a mim , que sou filho de pais separados. Coloquei-me no lugar de Deus e conclui que o mais JUSTO E CORRETO seria pelo menos dar as duas crianças que ficaram em casa a espera de seus pais, um pelo menos, mas não, eles receberam dois caixões com seus pais.
    Daí então, comecei a buscar o verdadeiro Deus, o Deus divino e não o Deus dos homens.
    Evolui, evolui muito.
    Num dia estrelado de verão meu filhinho de 5 anos me perguntou:
    - Pai Deus existe, como vai ser quando você morrer.
    Respondi.
    - Filho tá vendo aquelas estrelas no céu, eu quando sair da matéria vou me transformar em uma estrela, e estarei lá encima brilhando e lhe esperando.
    Ele – “ammmmmm, é verdade mesmo pai”.
    Sim eu acredito!
    Filho para que você consiga se transformar em uma estrela você precisa de Luz, para que você adquira Luz, você precisa fazer só uma coisa.
    - o que pai?
    O BEM, SEMPRE A TUDO E A TODOS.
    PORQUE É DESTES QUE PRECISA PARA NOS TRANSFORMAR EM UM SER ILUMINADO, SOMOS COMO RADIO, CAPTAMOS ENERGIA BOAS E RUIS DEPENDE MUITO DAS SUAS AÇÕES E REAÇOES.
    PARA SER UMA ESTRELA PRECISAMOS DE MUITA LUZ, E SÓ O BEM NOS TRÁS LUZ.
    ASSIM SERÁS UMA ESTRELA TAMBEM.
    Resumindo.
    Para mim Deus, é a energia do bem.
    A morte nada mais é para mim do que uma passagem através de uma transformação da energia material para o mundo da ENERGIA CONSCIENTE.
    É assim que Deus e vida e a morte me parecem.
    Forte abraço querido Beto.

  • Natália Chipollino Martinez - 15/07/2011

    Penso que Deus representa algo sobre o que, nós humanos, ainda não conseguimos descrever plenamente. Entretanto, também acredito que se refere à maior força existente de criações, perfeitas ou imperfeitas, de qualquer forma de vida na Terra. A partir deste ponto iniciam-se as discussões, pois quando se fala em "todas" torna-se imensurável a compreensão das ligações, relações e situações que ocorrem no mundo em seu cotidiano entre vidas materiais ou imateriais que nele convivem. Enfim, acredito que nada acontece por acaso. E o maior desafio para nós, os interessados em compreender a vida na qual estamos inseridos, é desvendar os porquês. O que leva ao início de outra discussão.

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