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Beto Colombo

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Corrupção

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Querido leitor, hoje vamos falar sobre corrupção.

Uma das passagens mais marcantes da vida de Jesus, que o Evangelho registra, é a da mulher adúltera,  Maria Madalena, tão falada no livro Código da Vinci. A maioria das pessoas concentra sua atenção no perdão de Jesus. No entanto, alguns exegetas chamaram atenção para os Doutores da Lei, que estavam prestes a apedrejar a mulher para que o preceito mosaico se cumprisse.

O silêncio de Jesus e a atitude insólita de escrever na areia levaram aqueles estudiosos a observá-lo. O que ele escrevia de tão explosivo que fez com que aqueles homens ilustres, donos do poder político e religioso da época, ao lerem, largassem suas pedras no chão e, a começar pelos mais velhos, saíssem dali? A resposta: Jesus escrevia os pecados de cada um deles. Imagine-se ali.

O medo de serem denunciados e não a misericórdia pela mulher afastou-os dali.

Volta e meia, a sociedade brasileira inteira se arma de pedra para atacar os corruptos: cadeia, paredão, fuzilamento, faxina ética, eis os nomes modernos da pedra. No entanto, algumas perguntas não querem se calar: quem de nós nunca comprou um CD pirata ou pirateou algo? Baixou música da internet? Sua casa está averbada? A declaração de IR reflete a verdade sobre os bens? Quem, se pudesse, não manipularia os números a seu favor em qualquer transação comercial? 

Quando aceitamos que parte de nosso salário seja pago “por fora” estamos, ou não, sendo corruptos? Quando, no mercado, o caixa se engana a nosso favor, quantos devolvemos o dinheiro? Você compra cigarros, bebidas e eletrônicos vindo do Paraguai? Você exige a nota fiscal quando compra qualquer produto? Você faz questão de tirar nota fiscal quando vende? Ninharia, dirão alguns, diante das quantias assombrosas que a mídia nos passa, certo? 

Para mim, ninguém nasce corrupto, vai aprendendo a ser desde o primário quando, ao encontrar uma borracha no chão, põe na pasta sem perguntar quem é o dono. Nessa escalada, a borracha escondida na pasta vai se transformar em milhares, milhões de dólares. 

Fomos, em muitos casos, educados segundo a Lei de Gerson, aquela de que devemos levar vantagem em tudo. Deu no que deu. Não pactuamos com essa realidade? Então, comecemos pelo nosso quintal.

Vamos às ruas, às praças, manifestemos nossa posição. Mas que nossa ação seja o nosso discurso, que minha palavra seja minha atitude, que eu seja verbo, não substantivo.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre corrupção?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 14/11/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 16/11/2011

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