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Beto Colombo

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Desapego
Na trilha do Caminho de Santiago tive muitas conclusões, muitos insights. Eis um deles: Não devemos nos apegar a nada, nem rejeitar nada. Tudo pode, parafraseando Aristóteles Onassis, ou então, tudo pode desde que não prejudique a si, aos outros ou a natureza. 

Quando penso em apego, imediatamente lembro do final dos anos 90, quando implantamos na Anjo a certificação da ISO 9001. Aqui, empolgados e inexperientes, fizemos tantas regras e ficamos reféns delas que quase inviabilizamos a empresa. 

Essa expressão “cheio de nove horas” vem lá do tempo do Império, se não estou enganado foi no século XIX, quando o Brasil adotou o horário de 9 horas da noite como adequado para interromper uma visita, um papo ou qualquer diversão e ir para casa. Esse costume veio de outras culturas e disseminou-se aqui, tornando-se lei. Naquela época, no regulamento do serviço policial, havia inclusive um dispositivo que liberava a revista, até prender alguém que fosse pego na rua depois das 9 horas da noite. Dado o exagero legal, surgiu a adjetivação: “cheio de nove horas” para o sujeito cheio de regras e também para empresas cheias de regras, cheias de procedimentos, empresas essas que surgem e desaparecem na mesma velocidade, pois do ponto de vista do cliente, quanto mais simples melhor. É assim que eu vejo.

A música Nove hora! Nove hora! Quem é de dentro, dentro. Quem é de fora, fora!, criada no século XIX, a meu ver não deveria fazer parte do repertório de nenhuma empresa nem de ninguém. Até porque, se nossos procedimentos estão travando nosso crescimento, é sinal de que essa rima não rima. É um retrocesso, e retrocesso não rima com sucesso.

Nesse caso, talvez o melhor seja deixarmos de ser “cheios de nove horas” e, quem sabe, adotarmos a canção que diz: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre apego a coisas, ideias e pessoas?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 17/08/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 18/08/2011
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1 Comentários para "Desapego"

  • Albertrina Manenti. Silvestrini - 17/08/2011

    Beto, ao longo de minha vivência, percebo que muitas coisas ou sofrimento humano ocorre do apego que as pessoas mantem por pessoas, objetos, ou fatos que marcam as suas vidas. È necessário que as pessoas reflitam que tudo tem um fim, mas está muito incutido ainda que tudo vai durar uma eternidade, por isso as pessoas ainda se surpreende com a morte,se deprimem com frustrações, sofrem antecipadamente com muitas situações que surgem. No meu pónto de vista é preciso que eceitamos as impermanências, ou melhor tentar desapegar-se de coisas queridas Lí num documentário do autor Thomas Keneally, sobre sua obra "Um Herói do Holocausto" ( A Lista de Schindler), que uma das coisas que ajudam as pessoas a desapegar-se é " relfetir nas mudanças que ocorreram com elas e concentrar-se nos resultadoas positivo que essa mudança gerou"!. Penso que muitas vezes a gente coloca sentimentos de apego em prateleiras tão altas que ficam longe do alcance de nossas mãos e acabamos não nos adequando aos aprimoramentos, e lembrar sempre que é preciso tirar o máximo de aprendizagem de nossos erros e acertos.

    Estamos Juntos
    Albertina M. Silvestrini.

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