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Beto Colombo

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Deus e as Picuinhas

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Deus e as Picuinhas

Queridos leitores, quando Friedrich Nietzsche foi ao mercado público e de lanterna interpelava os transeuntes os questionando “onde está Deus?”, ele horrorizou, principalmente, o mundo ocidental. Mais do que isso, o filósofo alemão ainda afirmava: “Deus está morto, nós o matamos”.

Nesse momento, a meu ver, o que Nietzsche quis dizer é que desde a Idade Média Deus era consultado para tudo, na modernidade, com a separação da ciência da religiosidade, aquela, a ciência, passou a exercer um certo poder sobre as pessoas. Diante do exposto, a meu ver, a nova ordem estabelecida tira de Deus decisões corriqueiras para colocar nos ombros de nós, simples mortais, a decisão. Não tem jeito, agora temos que usar nosso livre arbítrio e isso, para muitas pessoas, é incômodo, pois tem que se mexer, se movimentar, em resumo, tem que trabalhar.

Gosto de exemplos, vamos a eles: “Se Deus quiser vou pagar minhas contas”, mas a pessoa gasta mais do que ganha. “Se Deus quiser chegaremos ilesos após essa viagem”, mas dirigindo à noite, com chuva a uma velocidade de 120 km/h o pior pode acontecer. “Se Deus quiser vou arrumar um emprego bom”, mas a pessoa não estuda, não se prepara e sequer distribui curriculum. Resumindo, confie em Deus, mas tranque seu carro. Assim como esses, temos mais exemplos.

Na década de 1990, lembro-me como se fosse hoje. Em um desses jogos do campeonato brasileiro em que o Flamengo, do Silas, jogaria com o Corinthians, do Marcelinho Carioca; dois atletas de Cristo, jogando pelos times de maior torcida do Brasil. “Deus vai me ajudar e nós vamos ganhar esse jogo”, disse Marcelinho, ao que foi confrontado por Silas que adiantou que tinha orado muito para Deus e que sentia que este o ajudaria a sair vitorioso.

Afinal de contas, para quem Deus torce?

Por ora, vejo que Deus não torce para nenhum time, ele tem mais coisa que fazer. Possivelmente ele não fica se atendo a picuinhas, ele olha o todo, busca dar razão e rumo ao “holos” e não se atém a parte, geralmente ditada pela vontade egoísta do indivíduo. Para mim, depois do sopro da vida nos foi dado o dom do livre arbítrio e é ele quem difere a criança do adulto, afinal de contas, este, o adulto, usa o livre arbítrio; aquela, a criança, para não ser chamada a responsabilidade, se esconde atrás do “se Deus quiser”.

Sempre é bom lembrar que depois do primeiro mandamento, que é “Amar a Deus sobre todas as coisas”, o segundo é “não tomar seu santo nome em vão”.

Lembrando que isso é assim para mim hoje.
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 02/09/2013

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