Ir direto para o Conteúdo

Beto Colombo

Artigos

Do jeito que o diabo gosta

Deixe um comentário
Do jeito que o diabo gosta

Querido leitor, que sua existência esteja plena. Hoje vamos refletir sobre verdades, tanto as absolutas quanto as relativas.

Inicio meu artigo nesta oportunidade lembrando que a Sagrada Escritura nos conta que Josué mandou o sol parar, note que não foi a terra, para que ele ganhasse a batalha. Convém, aqui, trazer também Nicolau Copérnico que atribuiu a terra, um movimento diário ao seu próprio eixo e um movimento anual em torno do sol estacionário.

Provavelmente, quando Copérnico fez esta afirmação, não imaginava a profunda implicação para a ciência moderna. Depois disso, a terra já não podia ser considerada o centro do universo, isso contrariava os escritos bíblicos que usavam o sistema de Ptolomeu, que colocava a terra no centro do universo. Ainda no Livro Sagrado, no salmo 93, Davi, dirigindo-se a Deus, escreveu: "Tu fixastes a terra imóvel e firme".

Imagine a confusão que o astrônomo e matemático, Nicolau Copérnico, criara com a igreja católica no século XVI quando afirmou que era a terra que girava em torno do sol (heliocentrismo) e não o contrário, o sol que girava ao redor da terra (geocentrismo), como estava escrito na bíblia. Vale lembrar que o cientista polonês escreveu sua obra confrontando com a verdade católica e a dedicou ao Papa; como sabia do seu estado de saúde, faleceu no mesmo ano, em 1543. Já Galileu Galilei estava bem vivo e para não ir para a fogueira da Santa Madre Igreja precisou desdizer o que havia dito.

Marthin Lutero, que também confrontou o status quo da Igreja Católica, tinha posição diferente do matemático e ficou com a versão da Igreja Católica. Disse ele: “O povo dá ouvidos a um astrólogo principiante que se empenhou em mostrar que a terra se move, e não o céu, o firmamento. Esse tolo deseja inverter toda a ciência da astronomia e também da sagrada escritura. Isso é um sacrilégio". João Calvino, outro líder protestante, também deixou claro sua posição: "Quem ousaria colocar a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo”?

A confusão e o conflito estavam criados e o mundo ocidental ficou "do jeito que o diabo gosta", conforme afirmavam alguns pensadores da idade média. Esse novo sistema que séculos mais tarde teve que ser incorporado pela Igreja Católica à visão cristã do mundo só ganhou as academias, ruas e praças, anos mais tarde e, quando isso aconteceu, não apenas negava algo que a igreja vinha ensinando havia mil anos, como simplesmente contradizia e contradiz a própria bíblia.

Com esta nova teoria, mais aceita e verdadeira, as pessoas passaram a questionar as mais veneradas das autoridades: a Bíblia, a Igreja e os maiores sábios do mundo antigo. Todos estavam errados. E, se eles estavam errados quanto a isso, podiam estar igualmente errados em relação a outras coisas, ameaçando toda a ordem estabelecida e a própria ideia de autoridade.

Queridas e queridos leitores, antes de encerrar nossa reflexão de hoje, vale a pena refletir sobre a quantidade de pré-juízos que ainda estão aí cristalizados, agendados em nosso intelecto a espera de uma abertura maior. Abertura de nossas mentes para novas ideias, para novas verdades. São filósofos e profetas modernos que estão pregando e suas pregações não fazem ecos, ainda. Lembrou-se de alguma?

É assim como o mundo me parece hoje. Como será que vai nos parecer amanhã?

________________________________________________
Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 16/10/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 17/10/2012.

Voltar para Café com Mistura

2 Comentários para "Do jeito que o diabo gosta"

  • tiago duminelli - 16/10/2012

    Um assunto muito delicado, ir contra os ensinamentos mais antigos do mundo. a biblia.

  • Carlota - 16/10/2012

    Devido as crenças geneticamente codificadas continuamos a agir como se o espetáculo inteiro das galáxias tivesse sido montado para nós, a maior preocupação do cosmos.Tudo é pré-juizo.

    Na Sabedoria Radical mais extremada não vê a historia pessoal dos homens (nem a evolução da espécie) como movimento rumo a um estado superior. O q nos leva a concluir que as coisas estejam progredindo? Quem nos assegura que estamos melhor hoje que em determinada época? Ou, ainda, que estamos melhor hoje do que nunca?
    "De momento, a comédia da existência ainda não se tornou "consciente"de si mesma. De momento, continuamos a viver na era da tragédia, na qual imperam a moral e a religião." Friedrich Nietzsch

Deixe um comentário

Anjo Tintas e Solventes

Beto Colombo ©. Todos os direitos reservados

Desenvolvimento Burn web.studio
Carregando Dados...