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Beto Colombo

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Dor

Querido leitor, que você esteja bem. Hoje vamos refletir sobre dor. Mas espero que isso não seja tão doloroso assim, mais do que isso, que seja prazeroso.

Canta a música dos meus áureos tempos de serenata: “Triste madrugada foi aquela, que eu perdi meu violão. Não fiz serenata pra ela, e nem cantei uma linda canção”. Quer maior tristeza do que perder o violão, justamente o instrumento usado nas serenatas para a pessoa amada? O que é de um apaixonado sem música, sem violão? Mesmo assim, o seresteiro vai ao encontro da amada cantando “abre a janela amor, abre a janela. Dê um sorriso e jogue uma flor para mim”.

Como falar de tristeza para o ministro do Supremo Tribuna Federal Joaquim Barbosa? Pai pedreiro e mãe cozinheira, dona de casa, negro, desde cedo foi ensinado a baixar a cabeça e não enfrentar os brancos e ricos. Mas aquela tentativa de agendamento não teve eco naquele menino de olhar severo, a tristeza não se alojou naquele ser. Ávido por leitura e estudo, seguiu sua jornada: hoje é reconhecido pela brilhante mente e pela fluidez das palavras que verbaliza, além do português, em mais quatro idiomas: alemão, inglês, francês e espanhol.

Lembro-me bem da empresária que me interpelou, pedindo sugestão porque estava pensando em mudar de ramo. Ao me aprofundar numa rápida conversa, percebi que não se tratava de problemas financeiros, muito pelo contrário, sua empresa é bem rentável. Disse-me ela: “O problema é que me enchi com o comércio”. Ela falou ainda que não sabia direito, mas estava passando por um momento de insatisfação, de melancolia, de tristeza.

Sei que muitos de nós já passamos por momentos como esse, momentos de insatisfação, momentos de altos e baixos. Algumas vezes nos entusiasmamos, outras nos decepcionamos, nos entristecemos. Quando isso acontece comigo, sei que não tem nada de errado em ficar triste. E sei também que eu não posso achar que na vida tudo é alegria, que tudo pode ser perfeito, pois estarei me enganando.

Parece-me que ficar triste virou doença e alguns “médicos” estão exagerando e receitando antidepressivos sem mesmo antes ter um diagnóstico mais apurado, na maioria das vezes, até instigado pelos próprios pacientes. Alguns terapeutas estão achando que ficar triste e insatisfeito com a família, com o negócio, com a religião, com o emprego já é motivo para remediar. Talvez seja apenas um mau momento e, quem sabe, pode ser resolvido com um mês de férias, uma serenata ou até mesmo com uma boa noite de sono. Para algumas pessoas isso é um verdadeiro remédio.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, como enfrenta a dor?

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 28/11/2012 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 29/11/2012.

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3 Comentários para "Dor"

  • Ioneide - 30/11/2012

    Adoro ler esses emails do beto todos os dias.

  • Jô Lopes - 28/11/2012

    Bom dia Beto, querido...!
    Lí algo sobre a tristeza leve( melancolia),que dizia ser: "uma pausa que a mente dá,como uma forma de higienizar os arquivos da memória",com esta ideia,torna-se importante a compreensão sobre estes estados mentais.Mas, a insatisfação, as perdas ou desfunções biológicas, também pode causar,tristeza profunda e /ou até depressão.Quanto a dor pode ser compreendia,como a sinalização (sintoma)de algo que está acontecendo conosco.E que muitas vezes só precisa de um pouco de atenção e não de medicação.

  • LEANDRO DA SILVA MARTINS - 28/11/2012

    AO PEGAR CARONA COM UM AMIGO PARA O TRABALHO. 06:50 DA MANHA. ME DISSE OUÇA ISTO. DEPOIS DE OUVIR . ME SENTI ALIVIADO E REFLEXIVO. AGORA MEU DIA COMEÇA COM AS BELAS PALAVRAS DO SR.
    JÁ PASSEI PARA TODOS OS MEUS AMIGOS.
    OBRIGADO.

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