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Beto Colombo

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Dor da Alma

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Dor da Alma

Queridos leitores, aceitem o meu fraternal e caloroso abraço. Dias desses escrevi aqui neste espaço sobre Dodói e, naquela oportunidade, me referia única e exclusivamente sobre dor no corpo. Hoje vou me ater as dores da alma. As nossas mazelas internas, da nossa psique, das dores sutis que nos incomodam tanto e para alguns chegam ao ponto de somatizar.

Este artigo surgiu a partir de uma conversa gostosa que tive com um pastor evangélico amigo. Falávamos sobre dor. Como sabemos, existem vários tipos de dor, mas podemos dividi-la em duas, a dor física e a dor da alma, a dor do corpo e a dor da psique, a dor densa e a dor sutil.

A dor do corpo é a mais fácil de perceber, pois provoca uma reação instantânea. Basta prender o dedo na janela em um dia frio para sentir. Como já falei neste espaço, já senti muitas dores: dor de dente, de hérnia de disco, mas a dor incomparável foi a “nevralgia do trigêmeo”. Foi nesta que me foi apresentada a dolantina, uma droga que te tira do inferno da dor para o céu do nirvana em poucos minutos.

Lembro-me que na primeira vez que fiz o Caminho de Santiago, em 2006, tive quase uma dezena de bolhas. Eram bolhas em cima de bolhas. Em uma ocasião, me esqueci delas e acabei puxando o esparadrapo, trazendo consigo a pele. Depois da nevralgia do trigêmeo, parei de reclamar das dores menores.

Então, como disse, há as dores físicas e as dores do espírito, da alma. Há ocasiões em que a pessoa faz um check-up e não é encontrado absolutamente nada pela tecnologia de última geração, pois a doença não é do denso, é do sutil.

Muitos terapeutas dizem que o ser humano não deve sofrer, não deve sentir dor. Mas será que pode generalizar? É verdade que em alguns casos os remédios são como uma bênção a nos tirar do inferno da dor e nos levam ao céu da paz e da leveza. Contudo, há também momentos importantes em que, para algumas pessoas, o remédio só vai mascarar algo que algumas vezes precisa ser enfrentado e resolvido.

Como sabemos, o remédio para as dores físicas são aliados da medicina e da cura e vão nos ajudar em todo o processo. Enquanto o corpo vai se regenerando, a pessoa vai melhorando e, geralmente, depois de um tempo, para de usar. Quero ressaltar que ao sairmos do centro e o remédio é prescrito, ele nos ajuda a nos trazer ao centro e uma vez aqui, paramos de usá-lo.

Contudo, agora vamos às dores da alma, as nossas mazelas internas. Há, por exemplo, dores como perdas, que algumas pessoas não têm estrutura para enfrentá-las. Nesses momentos, os remédios são aliados. Mas, ao contrário daquele usado no processo de cura física, os usados na cura da alma também deveriam contribuir na melhora, mas não é o que ocorre. Eles apenas nos desviam do foco temporariamente, a dor da alma, vale lembrar, continua lá onde sempre esteve.

Aqui abrimos uma lacuna para a dependência física e psicológica de algumas pessoas que, fugindo da realidade, correndo do desafio, não querendo enfrentar a dor real do cotidiano, se apegam a drogas de todos os tipos, inclusive algumas prescritas e adquiridas legalmente.

É assim como o mundo me parece hoje. E você como enfrenta a dor da alma?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 08/08/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 09/08/2012.

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2 Comentários para "Dor da Alma"

  • Jô Lopes - 08/08/2012

    Boa tarde, Beto !
    Que belas e importantes,questões existencias você aborda,e nos leva a refletir.Parabéns querido!
    Quanto ao meu enfrentamento da dor da alma,tenho usado alguns dos meus Submodos (Axiologia,Epistemologia e outros) .Ex.:Com a perda de meu amado e inesquecível pai recorri a eles para obter forças,mental e espiritual,nos momentos mais difíceis da separação.E assim,fui aprendendo a conviver com as boas lembranças dele e colocando em prática as coisas que aprendi com ele,como se ele continuasse vivendo através de mim.

  • Adauton luiz Deolindo - 08/08/2012

    Muito bem meu caro Beto. A dor da ALMA se cura realmente com a FAMÍLIA porque quando não se tem uma não se tem nem alma. Acredito que a maior dor da ALMA é a SOLIDÃO.

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