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Beto Colombo

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Enfrentando seus Lobos

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“Onde você estaria agora, o que estaria fazendo, se não estivesse com medo?” Foi o que escreveu Spencer Johnson em seu livro Quem Mexeu no Meu Queijo? Livro que trata, entre outras coisas, sobre o medo da mudança.

O medo acompanha o homem desde o início da humanidade e foi pelo medo também que o homem sobreviveu até os nossos dias. Com medo do novo e do diferente, nossos ancestrais se esconderam e se protegeram em cavernas, se organizaram em grupos buscando apoio uns nos outros para enfrentar seus medos.

Platão tratou desse assunto quando escreveu sobre o medo do novo, o medo do diferente na A Alegoria da Caverna. Ele diz “afinal de contas, o que existe lá fora?”, surge a dúvida, a incerteza, vem a ansiedade, aparece o medo. Além de Platão, muitos outros filósofos tratam desse assunto.

Kant vai mais além. Diz que “avalia-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar”.

O místico Kabir diz que “a pessoa com medo é como alguém que está nu, mas nunca toma banho no rio porque tem medo – afinal de contas, onde ele irá secar as roupas?”

Para o budismo, é pelo medo de sofrer que nos apegamos às coisas. Aqui está uma das origens do sofrimento para a doutrina budista. 

Para cada um é de um jeito. Os filósofos cristãos foram mestres em tratar do assunto medo e relacionaram o medo a figura de um lobo.

São Thomas de Aquino, ao comentar a passagem do Evangelho de São João, “O Bom Pastor”, fala do mercenário que foge diante do lobo por medo de enfrentá-lo sem proteger seu rebanho, afirma que aquele que foge diante do lobo (medo) em um lobo se transformará. Para Aquino, o lobo pode ser interpretado de três maneiras: o demônio, o herege e o tirano. Logo, não enfrentar o lobo é ficar do lado dele, negar o auxílio e solicitude em defender o rebanho, consiste em ficar do lado de um desses três ou dos três ao mesmo tempo.

Thomas Hobbs, filósofo inglês (1588-1679), populariza um dizer de Plauto (254-184) “Homo homini lúpus”. Traduzindo para o português: “O homem é o lobo do homem”. Afirmava ele ser o egoísmo o mais básico comportamento humano. Hobbs acreditava que por medo de perder seu espaço e por ser naturalmente mau, torna-se agressivo e cruel com seu semelhante. A solução para ele é privar o homem de certas liberdades, é a única forma de manter a ordem e a paz nos burgos, do contrário, será uma “guerra de todos contra todos”, lembrando que isso é assim para Thomas Hobbs e também para Maquiavel que dissertou sobre o assunto mais tarde.

Bem diferente de Hobbs, que afirmava que o homem é por natureza mau, Rousseau acreditava que “o homem é por natureza bom”, é a sociedade que o corrompe.

A diferença do medo saúde e do medo doença, provavelmente seja a dose, um paralisa e o outro, apesar do medo, vai e faz.

Para os filósofos clínicos, esse assunto é tratado em consultório com muita responsabilidade. Medo de dirigir, por exemplo. Se um partilhante chegar ao consultório se queixando de medo de dirigir e que gostaria de perder o medo pois pretende fazer aquela viagem pela BR-101 (conhecida como a rodovia da morte) com toda a família. Ao tirar a historicidade do partilhante, o filósofo descobre que nos últimos meses ele bateu o automóvel quatro vezes. Provavelmente, o medo de dirigir é que está salvando a vida dessa pessoa. E se irresponsavelmente esse medo é tratado, o filósofo pode estar condenando a morte a família do partilhante.

É desse jeito que em filosofia clínica descobrimos por aproximação a veracidade e voracidade do lobo. Para cada um é de um jeito.

Muitos outros filósofos e pensadores falaram e escreveram sobre o medo, medo do lobo, medo de morrer, medo de viver, medo do inferno, medo de arriscar, medo de ser preso, medo de ser livre, medo do novo, medo da própria sombra. Para cada um é de um jeito. Concluo esse artigo com Platão, retornando ao mito da caverna. “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando o homem tem medo da luz.

E você, tem medo de que?
Isso é assim para mim hoje.

Estamos juntos
Beto Colombo
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Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 28/10/2010.
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3 Comentários para "Enfrentando seus Lobos"

  • erivelto - 26/05/2011

    Beto

    penso que as vezes o medo é uma forma de sobrevivencia.Pois em algumas circustâncias o medo nos nos faz pensar e para.

    Erivelto

  • Onédio Alves Do Nascimento - 17/02/2011

    Trabalho com vendas aqui em Brasília e vendo muito bem os seus produtos, pois sei da qualidade de cada um deles. Agoro o que realmente gosto é de ler. degustar, saborear os seus artigos que são bastante motivadores, hoje me declaro seu ´fã, pois sempre admiro a boa escrita o bom argumento por que é através da leitura deles, que eu os uso para convencer meus clientes e dessa forma enriquecer o meu vocabulário, alimentar a minha inteligência. Lhe desejo felicidades nesta empreitada.

  • Dóris Maria Daufenbach Goedert - 08/11/2010

    Não lembro de você...
    Sei que crescemos junto (na mesma cidade).
    Hoje, “SOUBE” de você: do sucesso, da coragem de empreender, dos livros editados...
    Gostaria MUITO de conhecer sua empresa "ANJO" e ter seus livros autografados.
    A forma como escreve me encanta...

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