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Beto Colombo

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Entre a Montanha e o Mar

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Entre a Montanha e o Mar

Querido leitor e querida leitora, que vocês estejam no fluxo da vida. Hoje nosso tema é água, mais precisamente água salgada que acordamos chamar de mar.

Nasci há 49 anos na cidade de Criciúma e fui morar com meus pais e nove irmãos nos pés da montanha do Caravaggio. Daquele tempo até hoje muita coisa mudou, afinal de contas, fui ver o mar pela primeira vez já no segundo ano do primário.

Hoje a situação é um pouco diferente. Temos duas moradas, uma onde nos concentramos no trabalho e outra para viver mais leve, isto é, nos fins de semana, nas férias e nos feriadões. Quando precisamos trabalhar estamos em Criciúma, onde nasci, e quando queremos relaxar, gozar a vida mais leve, vamos para Floripa.

Vamos a Florianópolis não pela distância da cidade natal e nem porque é a capital do Estado, mas porque há 15 anos fizemos um negócio de ocasião que nos levou àquele pedacinho de terra, perdido no mar.

Como falei, vi o mar pela primeira vez aos oito anos de idade. A viagem foi embaixo de uma lona e agarrado na carroceria de madeira de um caminhão FNM; assim cheguei até a Praia do Rincão, onde passamos um fim de semana acampados. Foi amor à primeira vista.

Tomei meu primeiro banho de mar olhando para o céu. Lembrei-me de quantas vezes, quando menino, imaginava o mar como se fossem nuvens.

E foi justamente o balneário Rincão a nossa praia por algum tempo. E tinha um sentido, pois trabalhávamos durante o dia e à noite íamos para a praia para dar uma boa caminhada descalços na areia e dormir mais tranquilos para enfrentar o outro dia com mais disposição.

Essa rotina começou a mudar nos primeiros anos de casado, quando fomos veranear pela primeira vez na Praia da Cachoeira de Bom Jesus, em Florianópolis. Ali redescobri o amor pelo mar, refiz o significado daquela minha paixão dos oito anos, agora aos 30; foi quando redescobrimos o mar.

Filipe, nosso primogênito, ao retornar do mar exclamou: “Pai, esse mar é gente boa, está sempre manso”. “Vamos mudar pra cá”, exclamou nosso pequeno Rodrigo de três anos. Pronto! Agora era questão de tempo. Meados da década de 1990 nos mudamos para Jurerê, que, na época, não tinha glamour nenhum, apenas uma praia quase deserta, onde nossas crianças corriam livres levadas pelo vento, disputando carinhosamente espaço com as gaivotas.

Às vezes faço um exercício mental, desloco-me até a montanha do Caravaggio onde me criei e o mar onde vivo. Na minha imaginação excluo tudo o que há temporariamente entre a praia e as montanhas, encosto o mar na montanha e fico ali no meu mundo imaginário. Ali eu me apaziguo, minha alma fica leve, meu ser transborda de alegria e me sinto terno e inteiro. Em paz!

É assim como a montanha e o mar são pra mim hoje. Qual o significado que elas têm para você?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 09/10/2012 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 10/10/2012.

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