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Beto Colombo

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Est Ars Pacis

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Est Ars Pacis

Querido leitor, paciência! É a fala de hoje.

Recentemente ouvi em um dos programas da rádio Som Maior a entrevista com Valter Teixeira, presidente da Colônia de Pesca Z-21, de Jaguaruna. Lembro-me que o apresentador, João Nassif, queria saber sobre as primeiras toneladas de tainha pescadas na temporada de 2012. Passavam das 15 toneladas, mas o líder dos pescadores acreditava que até o fim do inverno este número poderia até triplicar.

Chegamos ao início do inverno e tem sido sempre assim nos últimos anos, um frenesi entre os pescadores da nossa orla marítima que começam a se organizar na espreita dos cardumes. Lembro-me no ano passado, quando fiz a Volta a Ilha. Em cada localidade, em cada praia, lá estavam eles em grande número, uns olhando para o mar, observando o movimento, e outros se entretendo nas barracas jogando dominó e até paciência.

Neste final de semana estive caminhando nas praias da capital e lá estavam novamente os pescadores que, naquela região do estado, já reclamavam das pescas das grandes embarcações que não têm deixado o peixe entrar. Mesmo assim, ainda têm esperanças. “Quando não conseguimos mais ficar aqui devido ao frio é sinal de que as tainhas estão chegando”, ensinava o pescador. Mas voltemos à colônia Z-21, voltemos à entrevista.

Na entrevista muito bem conduzida pelo colega João Nassif, o presidente da Colônia de Pesca disse que havia aprendido a arte do seu trabalho com seu pai, que por sua vez aprendera com seu avô, que aprendera com outros membros da família. A técnica, com pouca mudança, vem de há anos.

“É preciso, antes de qualquer coisa, ter paciência”, comentou Valter Teixeira. De acordo com ele, uma pessoa ansiosa na pesca não consegue ter êxito. Inicialmente é necessário conhecer o mar e ver a mensagem que ele envia: onde está o peixe, de onde vem, para onde vai e qual a quantidade? No livro Sidarta, Hermann Hesse nos coloca que o rio tem som e fala com o barqueiro. Aqui, também o mar se comunica com o pescador, desde que ele saiba interpretar esse código.

Além de saber ver o peixe que entra na orla marítima, o pescador também deve conhecer as ondas do mar para saber quando e onde pode colocar seu barco, ou baleeira, no mar para fazer o cerco. Depois de tudo isso, deve esperar o melhor momento para sair mar à dentro, colocar sua rede e também esperar pelo melhor momento para voltar à terra firme.

“Paciência”, insistia o pescador. “Sem paciência não há pesca com resultados”, dizia o presidente da Colônia de Pesca Z-21. Talvez venha daqui aquele adesivo que vimos comumente afixado no vidro dos carros: “Tá estressado? Vai pescar!”.

“Est ars pacis” ou “a paciência é a arte da paz”

É assim como o mundo me parece hoje. E você, como está a sua paciência?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 25/06/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 26/06/2012.

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2 Comentários para "Est Ars Pacis"

  • Jô Lopes - 26/06/2012

    Minha paciência algumas vezes passa por um teste.Ex.:Quando estou dirigindo num trânsito, percebo a falta de paciência dos motoristas que usam as buzinas de seus carros para "gritar"nos momentos de quase paralização do fluxo do trânsito e eu fico pensando, se eu também ficar impaciente movida pela impaciência dos outros,deixarei de ser eu na minha integridade.

  • Tiago Duminelli - 25/06/2012

    Uma semana com muita paciencia a todos.

    =)

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