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Beto Colombo

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Fora de Casa

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Fora de Casa

Querido leitor, que você esteja bem. Nosso tema hoje é sobre sair de casa. Antes de tudo e de mais nada, o título que este artigo sugere, que é “sair de casa”, nada tem a ver com o sair da casinha. Nossa ideia neste texto é refletir de forma maior, olhando o todo nas relações consigo, com suas casas. E existem várias formas de refletir sobre “sair de casa”. Nesta oportunidade, vou contar uma experiência que tive com um parlamentar de renome nacional.

Como estamos em um ano eleitoral, vamos nos ater aos homens e mulheres que decidem concorrer a um cargo eletivo. Este parlamentar jamais deixará de ser “político” e está sempre com as mãos levantadas numa repetição frenética de um comportamento padrão que o afasta da sua casa.

Você já percebeu que a grande maioria dos parlamentares deixaram suas casas internas, se abandonaram, entraram num script de candidato ideal? E muitos, já sequer têm gostos, opiniões.  Alguns, inclusive, têm suas roupas, cabelos, discursos e até sorrisos gelidamente pensados por consultorias.

Então, vamos à minha experiência. Jamais esqueci quando passei uma semana com um parlamentar de ponta da política brasileiro no Kur, clínica-spa que faz um excelente trabalho em Gramado (RS). Durante esse tempo tivemos encontros diários e me estranhava o fato dele, dentro e fora do consultório, sempre levantar a mão direita, abanar de um lado para outro, como se acenasse às pessoas. Só que em muitos casos não existia nenhuma pessoa, era a “roupa” de político gentil e querido, na visão dele, que estava ali e deveria cumprimentar a todos.

Também me lembro de que durante nossos encontros, eu como terapeuta e ele como  partilhante, procuramos trazê-lo de volta à sua casa, à sua morada. Mas, mesmo consciente disso, o político profissional não se permitiu fazer o caminho de volta. Talvez entrou tanto nesta roupagem, neste papel existencial de político profissional que se sentia mais a vontade fora de casa, longe dele mesmo. Ele se abandonou e passou a ser o personagem criado para ele. No filme “O resgate do soldado Ryan”, o capitão John, interpretado por Tom Hanks, comentou que “cada vez que mato um homem nessa maldita guerra mais longe de casa me sinto”.

No Livro Sagrado, sempre que se fala em corpo, fala-se em morada, em casa do espírito “Nosso corpo é o templo do Espírito Santo”. Contudo, durante nossa estada neste plano, estamos tão absortos na corrida do ouro, pelo poder, que às vezes deixamos nossas casas. Esquecemos-nos em alguma esquina da existência para onde um dia, de um jeito ou de outro, mesmo por um instante, talvez antes do último suspiro, retornamos à nossa morada, ao nosso templo.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, está dentro ou fora da sua casa?

Beto Colombo

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4 Comentários para "Fora de Casa"

  • Estela Serafim Martins - 30/04/2014

    Bom dia Beto. Espero que você e a Albani também estejam bem. Parabéns pelo tema abordado acima. Ao ler lembrei de uma matéria que li no jornal O Globo. Vou lhe enviar. Muito obrigada.

    ''O Globo ''

    Sim, o hábito faz o monge, mostra pequisa.

    Estudo americano comprova que significado social das peças que vestimos interfere nos processos cerebrais


    3/04/12 - 20h59
    RIO - O antigo ditado que nos orienta sobre não julgar as pessoas pela aparência acaba de ser contrariado por um estudo americano, pelo menos no que diz repeito às roupas. Cientistas descobriram que a forma como interpretamos o valor simbólico da vestimenta pode afetar nossos processos cognitivos. E o estudo, realizado por pesquisadores da Northwestern University, em Illinois, mostra que não basta olhar uma peça para que esta influência ocorra, é preciso vesti-la.
    Os pesquisadores, liderados por Adam Galinsky, realizaram três experiências usando jalecos brancos idênticos de médicos e pintores. Em todos os casos, as pessoas que vestiram as peças que seriam dos profissionais de saúde — a quem costuma ser atribuído um comportamento cuidadoso, rigoroso e atento — apresentaram melhores resultados em testes de atenção e percepção visual de erros. Houve quem apenas olhasse a roupa, mas quem a vestiu se saiu melhor.
    A descoberta, que foi relatada em reportagem do jornal “New York Times”, é significativa para uma área de estudos em crescimento, chamada de cognição incorporada.
    — Pensamos não apenas com nossos cérebros, mas com nossos corpos, e nossos processos de pensamento estão baseados em experiências físicas que provocam conceitos associados abstratos. Agora, parece que estas experiências incluem as roupas que vestimos — explicou Galinsky ao NYT. — A experiência de lavar as mãos, por exemplo, está associada à pureza moral e a julgamento éticos.
    Para os cientistas, um dos pontos mais interessante do estudo é a possibilidade de compreender se o significado da roupa que vestimos afeta nossos processos psicológicos: ele altera a forma como nos aproximamos e interagimos com o mundo? Na opinião do psicólogo e autor do livro “Homens invisíveis” (Editora Globo), Fernando Braga da Costa, a resposta é sim:
    — Tudo o que é intelectual é guiado também pelo nosso equilíbrio emocional. Além disso, o que controla nossas vias neurológicas está relacionado com nossas emoções, cuja construção passa pelos relacionamentos e a concepção de valores sociais.
    Os pesquisadores americanos agora querem entender o que acontece quando alguém veste uma batina de padre ou um uniforme de policial todos os dias, por exemplo. A ideia é desvendar se os indivíduos se acostumam e as alterações cognitivas não ocorrem, fazendo os efeitos desaparecerem. Para isso, no entanto, mais estudos ainda serão conduzidos''.

  • Ivanete - 05/07/2012

    Olá!! Concordo com você Beto e com estes leitores. Muito bom o artigo em sua concepção! E teria muito o que se falar mesmo. Certamente sem essas "roupagens" não precisaríamos falar tanto. Mas atenuo apenas este ponto: Porque pra ser político é preciso "vestisse" e ser diferente? Sim!Porque nunca conseguem voltar pra dentro de sí. E lá se vão..pela ocupação, pelo cargo, "poder" muitas vezes mídia, por isso, por aquilo...e na verdade não são só eles que ficam "fora de casa". Levam-nos com eles, na maioria. Porque lamentável o que passamos. O que muito, muito se fala apenas nessas épocas de eleições... E depois? Consegue-se vê-los, falar-lhes, cumprimentá-los até?? E principalmente cobrar-lhes a toda essa carência nas prioridades, como nos Postos de saúde, secretarias, hospitais, esse pessoal (grande maioria) desqualificado nessa área tão merecida de atenção, cuidado, educação...para alguns dêstes acho que não saíram de casa voluntariamente, acho que foram "empurrados" mesmo. Mas ressalto que ainda encontramos "algumas"pessoas merecedoras, humanas, do cargo em que ocupam nestes setores. Por outra via, quanto aos cargos eletivos, a percentagem diminue muito mais. E assim ficamos "todos" nos sentimos FORA DE CASA. Está muito crítico!
    Vou me conter em falar mais... Agora (ano eleitoral),é hora de pegar as criançinhas no colo, dar uma beijoca, um docinho, sorrir com todos, cumprimentar todos e não esquecer é claro,do alquinho em gel perfumado, principalmente nessa onda de gripe, que por sinal faltaram as vacinas. Porque será?? Vimos também gentilezas e cordialidades(quando bem percebidas misturadas com rivalidades, falsidades, onde uns falam mal dos outros).
    Quando terá o progresso mais humanizado, bem constituido? E as pessoas voltando pra casa... sorrindo e sem barulho...AÍ durmiremos nós, agradecidos e eles quicá, que bom seria, com a consciência, aqueeela, tranquiiila...
    Saudações
    Ivanete March

  • Luiz Dal Farra - 03/07/2012

    Meu caro amigo e companheiro. Excelente teu artigo de hoje no A Tribuna. Alguns artigos nos tocam mais profundamente. É o caso deste "Fora de Casa". Tocastes no x da questão. Acho que a infelicidade, ansiedade e outras coisas ruins, acometem todos aqueles que estão "fora de casa". Belo o exemplo do político. Eu diria que mais de 70% dos políticos estão neste caso. Eu me parece que quanto mais desespiritualizado (?) o ser humano, mais afastado está da normalidade e por consequência mais infeliz e mais anormal. Quanto mais espiritualizado e quanto mais poder de meditação o ser humano está mais próximo da normalidade: mais paz, mais tranquilidade, mais saudável e mais feliz. "Bela expressão registrasses: "Nosso corpo é o templo do Espírito Santo". No final do teu artigo eu substituo o "Talvez" por "certamente" antes do último suspiro, retornamos à nossa morada, ao nosso templo". Fantástico meu caro Beto. Parabéns.
    Dal Farra

  • Rodrigo Souza Indalencio - 03/07/2012

    olá Beto ! Hoje como leitor , venho acompanhando , os artigos elaborados pela intuição da percepções da mente , e COMO observador da naturalidade HUMANA , o tema ao qual escreveu como ESCRITOR o tema FORA de Casa ... um tema muito PRECIOSO , a escrita é a expressão daquilo que todo ser humano quer expressar ...
    E isto se encaixou , com as PESQUISAS que venho fazendo a uns 3 anos sobre A 2 Pessoa e a autonomia da Subjetividade , como Papel Social .... é triste o Pensamento coletivo que o determinado cidadão tem que optar a Pensar pelo Grupo , é claro que não defendo alguns Politicos , mais sinto muito ver a MASCARA da subjetividade na vida do Politico , Roubar sua Pessoalidade individual , e natural....

    A Tempos que venho analisando a ( Perda da naturalidade humana , Pro PENSAMENTO CONDICINADO , determinado pelo grupo .... Esta historia de cerebro coletivo , nao me encaixa bem amigo ... estamos deixando nos condicionar e perdemos a naturalidade nas respostas .... isto daria uma boa conversa com um bello café expresso e ver e estudar este Tema Tão PROFUNDO , é só compartilharmos este tema que todos iremos sentir o sabor da riqueza e o FORTALECIMENTO DO SER INTERIOR ...

    Todo escritor tem dificuldades na hora de fazer a ponte com o leitor e não interfirir nas areas desta comunicação trazendo transparencia ao leitor .....

    no´s trasformamos pelo caminho neste compartilhamento atravez das PONTES DO Ser ...

    Continue escrevendo os insites e as ferramentas , mais estes assuntos são bons apreciando uma pequena roda de amigos , são Poucos a gente conta no Dedo...

    Aquele abraço !

    Rodrigo Souza Indalencio ....

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