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Beto Colombo

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Recentemente, um querido amigo enviou um e-mail onde fazia um comentário interessante. Escrevia ele: “Hoje observei um caminhão carregado de galinhas que iriam para o abate. Foi então quando pensei se ali havia sentimentos. Mais: e se nós, seres humanos, somos ou não cruéis, se temos direitos sobre outros seres em relação a alimentação e sobrevivência?”. 

Esse amigo também me enviou uma matéria do jornal Folha de São Paulo de uma pesquisa feita sobre o sofrimento dos seres vivos. De acordo com essa pesquisa, os animais sofrem ao verem seus semelhantes sofrerem e que provavelmente elas, as galinhas, sabem que vão morrer. Esses estudos foram feitos com galinhas, um dos animais comuns com menor quociente de inteligência. Até aqui, a ciência provou o sofrimento das galinhas em relação a empatia e preocupação. Tudo indica que as aves são capazes de uma forma primitiva de amor. 

Então, uma provocação: E se um dia formos descobertos por alienígenas com razão e consciência superiores as nossas? Terão o direito de considerar nosso planeta como uma grande fazenda de seres inferiores, onde poderemos ser considerados uma granja de humanos. Sendo assim, esses alienígenas poderão fazer um cruzeiro intergaláctico para vir até a terra e comer um churrasquinho de humanos? 

Em Jaguariúna, São Paulo, há a fazenda Yamaguishi que tenta promover a harmonia entre a natureza e a ação humana consciente, oferecendo, no dizer dos moradores da fazenda, "uma dignidade para estes animais". Lúcio Packter, em uma de suas brilhantes aulas de filosofia, disse que "provavelmente num futuro seremos conhecidos como animais que devoram seus semelhantes".

Seja homo sapiens sapiens, bípede ereto, seja quadrúpede com pena ou pêlo, falamos de seres com Sistema Nervoso Central, centro nervoso do ser onde, de um jeito ou de outro, grava emoções, sensações, sentimentos e dá sentido a todas elas. Galinha tem Sistema Nervoso Central e planta não possui este órgão, por isso será que não é momento de questionarmos, como humanidade, o que estamos fazendo com nossos animais, o que nós estamos fazendo conosco?

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre isso?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 19/05/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 20/05/2011

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4 Comentários para "Galinhas"

  • Leandro Melo Silveira - 13/07/2011

    Querido Beto.
    Realmente, estamos progredindo por conta própria, a custa de tudo e de todos, isso realmente não é racional.
    Perdemos nossa essência divina.
    O mundo anda tão complicado..................

  • Luiz Dal Farra - 19/05/2011

    Parabens Beto pelo novo desafio que assumistes. Vale a pena socializar a sabedoria que atingistes. Interessante comentário sobre os animais, que como nós possuem um sistema nervoso central. Há alguns anos, lí um livro espírita da editora Sextante, não me lembro o nome, em que o autor James Van Praagh, um dos mais talentosos mediuns, afirmava que os cachorros, na outra vida, tambem iriam para o reino celestial, e se juntariam às famílias que conviveram e eram amados. Não dei muita bola para a afirmação. Agora nesta tua explanação me veio na memória o pensamento daquele médium. A verdade é que pouco ou nada sabemos sobre os animais. Se tiveres mais informações ou conhecimentos talvez poderias comentar numa próxima oportunidade. Um grande abraço. Dal Farra

  • Giovani - 19/05/2011

    Oi Beto. Quando posso, sempre gosto de ler teus textos. Sobre o texto "galinhas" é um assunto que vem me questionando mais de uns 4 anos para cá. Tenho lido um filósofo chamado Peter Singer e pelo jeito o seu artigo vai de encontro a como o mundo se parece para ele. Acredito que esse seu espaço de comunicação será um instrumento a serviço da amizade, da vida e da paz. Abraço.

  • Enir Antonio Carradore - 19/05/2011

    Algumas culturas consideram a galinha um psicopompo (Houaiss: condutor das almas dos mortos). Matar galinhas e outros animais é o diálogo constante que travamos com nossa própria finitude.

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