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Beto Colombo

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Independência

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Independência

Querido leitor, querida leitora, aceite o meu fraternal e caloroso abraço. Nosso tema hoje é independência.

Amanhã, sete de setembro, comemoramos em nosso país a independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822. Conta a lenda, digo, a história, que Dom Pedro I empunhou sua espada às margens do Ipiranga e desafiou: “Independência ou Morte”. Portugal optou em não entrar no confronto, em consequência disso, Dom Pedro viveu, não morreu, o Brasil saiu da condição de colônia e, em seguida, proclamou a República Federativa dos Estados Unidos do Brasil, numa cópia clamorosa dos Estados Unidos da América. Mas esta é outra história.

Interessante que vasculhando um pouco mais e melhor a nossa história, percebemos pelo menos uma tendência para três datas: a Independência do Brasil, como vimos, em 1822; a decretação da Abolição da Escravatura, em 1888; e a Proclamação da República em 1889, aqui já éramos República Federativa do Brasil. Entre a independência e a ideia de República Federativa, levamos 67 anos, mas entre a abolição e a República Federativa, apenas 18 meses.

Como sabemos, a pressão da Inglaterra, onde o Brasil havia feito empréstimo financeiro para que se oficializasse o livre comércio e a liberdade liberal, fez com que a abolição fosse banida do Brasil. De um ano para outro, o negro passou a ter alma e foi jogado em liberdade. Pronto! Podia fazer o que quisesse. Mais ou menos como a galinha teme a liberdade de sair do galinheiro, só que lá fora tem a raposa.

O próprio hino de Proclamação da República, que em seu estribilho canta: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade, Dá que ouçamos tua voz!”. Em sua segunda estrofe nos espanta: “Nós nem cremos que escravos outrora, tenha havido em tão nobre País”...

Liberdade. Eu sou livre? Você é livre? Na época da recente ditadura militar um anúncio de um jeans marcou a propaganda nacional, uma das mais criativas do mundo. “Liberdade é uma calça velha azul e desbotada”.

Quando Dom Pedro empunhou a independência, foi do Brasil em relação a Portugal, pois durante anos vivemos independentes. Independentes do FMI, dos Estados Unidos e da transplantação cultural. Enfim, independência de algo, parece que nos torna dependentes de outros.

Como falar de Nação dependente neste mercado globalizado, nesta economia praticamente sem fronteiras? Mais uma vez, como lá em 13 de maio de 1888, libertam-se os benefícios, mas as mazelas e a pobreza da humanidade continuam sendo presas, arraigadas em cada chão, em cada povo, em cada país.

Vi. Ouvi. Li...berdade: “Voa, voa minha liberdade, entra se eu servir como morada, deixa eu voar na sua altura, agarrado na cintura, da eterna namorada”. Ah se ela realmente fosse como nos obrigaram a decorar e a cantar “entre outras mil, és tu Brasil, ó pátria amada”... Com certeza, verias que um filho teu não foge à luta.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre independência e liberdade?

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 06/09/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 08/09/2012.

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