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Beto Colombo

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Jardins Existenciais

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Jardins Existenciais

Queridos leitores, que vocês estejam em paz. Recentemente fiz uma caminhada com algumas pessoas em Gramado (RS), local onde escrevi esse texto. Como o leitor sabe, no caminho encontramos todo tipo de caminhante: há os magros e os gordinhos, há os altos e os baixos, há os falantes e os mais quietos, há os que gostam de comer muito e os que comem pouco. Enfim, como se diz por aqui, o mundo é sortido. E que bom que é assim, você não acha? Eu acho!

Nesta caminhada do fim de semana, chegou e caminhou por um bom tempo uma pessoa que reclamava muito. Reclamava da dor no pé, do cansaço, do trabalho, do clima, do vento, enfim, só faltava brigar com a própria sombra. Possivelmente você conhece alguém assim!

Estávamos caminhando, ela e eu. Ela mais falante e eu mais introspectivo. Foi quando acessamos um local muito belo do lado direito da estrada, onde caminhávamos, e estava fácil de curtir aquele jardim e por longos minutos pude sentir o aroma daquele esplêndido lugar.

Tinha flores dos mais variados tipos e cores. Como passamos caminhando, não deu para ver todos os tipos, mas percebi que tinha rosas, azaleias, margaridas, orquídeas e muitas outras variedades. Aquele jardim atraía borboletas, beija-flores, joaninhas, sabiás, bem-te-vis. Dava para ouvi-los da estrada onde passávamos. Olhei para traz e vi que algumas pessoas paravam e se debruçavam sobre as pétalas para cheirar e outras paravam para observar melhor aquele belo lugar.

- Que lindo! Olhe só a beleza deste jardim. - Comentei com o colega que reclamava ao meu lado.

- Que jardim? - Perguntou-me.

Surpreendi-me com a resposta. Mas qual não foi minha surpresa quando poucos metros a frente, só que do outro lado da estrada, agora a nossa esquerda, encontramos uma plantação de pinus com seu cheiro pitoresco.

- Não vi nenhum jardim, o que estou vendo é aquela plantação de pinus. Quanto será que não vale aquilo tudo heim? - perguntou meu colega.
A que então refleti:

- Que interessante, não vistes o jardim e enxergastes o pinus.
Percebi que ele nem me ouviu. Continuou falando de negócios, que o ano estava muito difícil e que plantar pinus é um ótimo investimento para o futuro, é uma ótima aposentadoria, dizia-me ele, insistindo que eu opinasse sobre o assunto.

Aquela caminhada ainda ecoa dentro de mim. Reflito ainda o quanto não vimos os jardins floridos com suas rosas vermelhas e nos atemos aos pinus, às rosas de pinus. Mais: o quanto plantamos pinus e deixamos de plantar flores. E algumas pessoas ainda reclamam que no jardim de sua existência não há borboletas coloridas, beija-flores e nem o canto do sabiá.

Lembrando que isso é assim para mim hoje.

Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 04/10/2013

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2 Comentários para "Jardins Existenciais"

  • DEJAIR - 04/10/2013

    muito bom gramado e mesmo um lugar muito bonito

  • Fábio Pickler - 04/10/2013

    Normalmente leio alguns artigos. Como todos são muito interessante, esse também não foi diferente. Penso que as vezes quem escolhe o que plantamos somos nós. As vezes devemos parar, analisar e tomar a melhor decisão. Devemos agir com muita sabedoria. Sendo assim podemos ter o nosso jardim florido como o da primavera. Parabéns por essas visões, e pela sua sabedoria. Agradeça ao pai por tudo. Pois você é muito sábio.. Grande Abraço!.

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