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Beto Colombo

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Maior Herança

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Querido leitor, que você esteja bem e em paz! Nosso tema de hoje é sobre o comentário de um ouvinte sobre um dos temas abordados aqui neste espaço: a maior herança.

Recentemente comentei aqui neste espaço “Como o Mundo me Parece” o caso de uma senhora que havia perdido sua casa, os móveis e até o carro na última enchente que ocorreu em Itajaí. Falando para um jornal televisivo, ela disse emocionada que havia perdido tudo, e que só ficou a vida. 

Lembro-me que no artigo daquela ocasião questionei se o “tudo” eram os bens físicos ou o tudo era a nossa vida, pois, a partir dela, podemos recomeçar e adquirir aos poucos tudo de novo. Sem vida, não há geladeira, fogão, casa e até carro.

A partir deste artigo, recebi alguns retornos e um e-mail foi especial que desejo partilhar que é de um ouvinte que agradece as mensagens matutinas dizendo que ele e a sua esposa escutam a primeira edição do programa às 6h50 ainda deitados. “Suas mensagens me fazem muito bem”, comentou ele.

Contudo, ele salienta que de todas, a mensagem intitulada como “Vida” é a que despertou a vontade de enviar uma retorno. Assim o fez.

O ouvinte disse que o artigo fez com que fizesse um deslocamento longo, indo há mais de 30 anos, quando seu pai faleceu e teve que dividir a responsabilidade dos negócios da família com outros irmãos e irmãs. E aqui, indispensável dizer que entraram também os esposos e as esposas. “Foi muito difícil me digladiar com o sangue do meu sangue e, quando percebi, todos os bens e negócios de meu pai passavam de uma mão a outra sem a minha concordância”.

O ouvinte relata que no início ficou um pouco arredio, apegado, o que lhe rendeu fadiga, baixa energia, algumas internações e quase um infarto fulminante. Foi quando olhou para dentro de si, para sua família, seus filhos, e disse que estava numa encruzilhada: optar pelo confronto, pela sombra e a doença, ou optar pelo fluir, pela luz, pela vida. Optou por essa, pela vida. 

Disse a pessoa em seu e-mail: “O que sei é que desisti de lutar mais do que já havia lutado para salvar nosso patrimônio herdado de nosso pai que estranhamente não estava mais no seu nome. Olhei então para meus filhos e com as minhas mãos e o meu caráter resolvi dar uma nova herança para eles”. De acordo com ele, investiu mais ainda em honra, caráter, moral, qualidades que não são roubadas e nem se vão com nenhuma enchente e que nenhum fogo queimaria. 

Então, a partir desta terra arrasada que a resiliência novamente se fez presente na história humana e este ouvinte conseguiu dar a volta por cima e fazer do limão uma limonada. Perdeu seus bens materiais, mas não perdeu seu foco, sua determinação, sua honra. Assim, construiu seu patrimônio, pois percebeu que tinha forças para trabalhar.

Meu ouvinte lembra que o  nome “limpo” e honrado do seu pai foi também uma grande janela no seu início de vida profissional. Talvez seja isso que nossos filhos queiram de herança: exemplos. No e-mail que recebi, ele ainda lembra que o artigo “Vida” que ouviu na Rádio Som Maior Premium foi uma lição muito grande na sua vida, pois pensava que a morte acabava tudo, era o fim de tudo. Pode ser o início de uma vida. Foi para ele!

Talvez, mais do que pensar que planeta vamos deixar para nossos filhos, devêssemos refletir que filhos deixaremos para nosso planeta. E, provavelmente, o esclarecimento e a informação, além do exemplo, sejam a grande herança que possamos deixar para nossos filhos.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre isso?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 30/11/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 01/12/2011
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