Ir direto para o Conteúdo

Beto Colombo

Artigos

Mortos e Vivos

Deixe um comentário
Mortos e Vivos

Querido leitor, que você esteja bem. São Paulo escreveu no livro sagrado, uma das minhas referências, que “tudo lhe é permitido, mas nem tudo lhe convém”. Atualizando a frase de Paulo, temos a liberdade e podemos ter acesso a toda informações que nos for possível e acessível, nos abrir para elas. Mas com uma condição, talvez não devêssemos nem nos apegar nem rejeitar nada. Olhar verdadeiramente para as coisas, tentar vê-las como elas verdadeiramente são, sem controlar. Enfim, perceber o rio fluir sem querer se grudar as margens. 

Falo isso para justificar a minha referência no texto de hoje que vem do ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Homem culto, inteligente, bem informado, isso nós sabemos. Recentemente ele escreveu um artigo sobre os que estão vivos e os que estão mortos, contido na publicação “A soma e o resto: um olhar sobre a vida aos 80 anos”. Um bonito texto, aberto e sincero, oportunidade em que ele reflete sobre o mistério da existência, onde sabemos que um dia vamos morrer e, no entanto, vive-se como se fôssemos eternos. 

Depois das mortes de pessoas íntimas como sua esposa, Ruth Cardoso, e de outros amigos, como Juarez Brandão Lopes e Paulo Renato, Fernando Henrique diz que se habituou a conversar com os que morreram. E avisa que não está delirando. Para ele, os mortos queridos estão vivos dentro da gente. “A memória que temos deles é real”, explica. E parece que é assim mesmo. 

Em seu belíssimo texto despojado e de coração livre, Fernando Henrique se abre dizendo que não pensa na morte, pois sabe que ela vem. Para ele, "os mortos queridos vivem dentro de nós. Os que morreram continuam a nos influenciar. Nós é que não podemos mais influenciá-los”. 

Diante dessa sincera reflexão sobre a morte, envolvendo pessoas próximas que se foram numa clara demonstração que a morte está um pouco mais próxima, Fernando Henrique, como não poderia deixar de ser, também reflete sobre o sentido da vida. Diz ele: “Aos 80 anos, creio que cada um cria o sentido de sua vida. Não há um único sentido. Isso é muito dramático. Cada um tem que tentar criar o seu sentido”. 

Assim, diz ele, "quando se vai ficando velho e, portanto, mais maduro, você tem que valorizar mais a felicidade, a amizade, essas coisas que, no começo da vida, parecem secundárias."Parece que quando se é jovem sequer desconfiamos que vamos passar, que vamos morrer; com a maturidade, vem a constatação implacável de que tudo passa”. 

Se realmente é assim, não tem como nos enganar, embora um bom percentual não consiga enfrentar essa realidade de frente. Resta-nos, como lembrou Fernando Henrique, concentrar nossas atenções ao que realmente tem valor, ao que sinceramente nos interessa, se faz necessário dar sentido à vida. Talvez, tudo tem sentido se a gente der sentido. Se a gente não der sentido, nada vai ter sentido. Nem a existência, que muitos chamam de vida, se não dermos sentido a existência passaremos por este plano sem nenhum sentido. Wilian Wallace, no filme Coração Valente, resume tudo: “Os seres humanos morrem, mas há seres humanos que não vivem”. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, qual a sua reflexão sobre mortos e vivos?
_________________________________________________
Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 18/06/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 19/06/2012.

Voltar para Café com Mistura

2 Comentários para "Mortos e Vivos"

  • Gisele Marinho - 19/06/2012

    Lindo texto e sábias palavras.

  • Jatir Menegoto - 18/06/2012

    Amigo Beto,
    hoje fostes profundo, é isto que venho obrservando e tentando colocar em pratica, as vezes consigo outras não, porém estou firme e convico de que este é o caminho.
    grando abraço
    Jatir

Deixe um comentário

Anjo Tintas e Solventes

Beto Colombo ©. Todos os direitos reservados

Desenvolvimento Burn web.studio
Carregando Dados...