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Beto Colombo

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Não me Arrependo do Silêncio

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Querido leitor, que você esteja bem e em paz. É um contra-senso, mas hoje vamos refletir sobre o silêncio, falando...

Durante as minhas leituras diárias, há dias, deparei-me com uma frase que já conhecia. Mas, de tão simples e profunda, resolvi transcrevê-la para uma folha de papel em branco e passei a lê-la quase que diariamente. De tempo em tempo, quando me era oportuno, puxava o papelzinho do bolso da calça, às vezes da camisa, e lia.

Dizia a frase atribuída a Xenócrates, discípulo de Platão: “Arrependo-me de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio”. Escreveu sobre filosofia e matemática e, embora quase todos os seus livros tenham desaparecido, dois deles são sempre lembrados: "Em Números" e "A Teoria dos Números". 

Jung certa vez disse que escrevemos o que nos inquieta. Na verdade, ele disse que nossas obras têm muito a ver com as inquietações dos seus autores e este artigo sobre o silêncio me mexe muito. Quando li a frase de Xenócrates, lembrei-me de pronto das muitas vezes que acordei com a ressaca depois de um pouco mais de vinho da noite anterior, mas a dor de cabeça não foi da bebida, e sim do que eu falei.

Também, neste momento em que reflito sobre “arrependo-me de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio”, me vem à mente a frase do rei da Espanha, Juan Carlos, direcionada ao presidente da Venezuela, Hugo Chavez, durante a cúpula Ibero-americana, em 2007. Disse o rei, que desceu da sua pompa real, a Chavez: “Por que tu não te callas?”

Acabamos de ficar em terceiro lugar nos Jogos Panamericanos, atrás do Estados Unidos e de Cuba. Dos Estados Unidos por questões óbvias, mas Cuba, um país muito menor em tudo em relação ao Brasil, justamente pelas medalhas de Ouro. E aqui, mais uma vez, o tema deste nosso artigo cai como uma luva: “As palavras valem prata, mas o silêncio é ouro”.

É perceptível que o silêncio fala muito alto, por isso que muitos de nós, em determinadas ocasiões, fugimos dele. Gritar na frente de uma pessoa que serenamente permanece em silêncio deixa o gritão mais irritado. Em determinadas situações o fraco grita, o poderoso silencia.

Parece que nos foi ensinado ainda na tenra idade a falar algo sobre tudo. Parece que sempre temos algo a dizer, uma frase a acrescentar, um conselho a dar, uma crítica a fazer. Será que não podemos falar com o silêncio? Ou então com um olhar, com um abraço, um sorriso...

Há momentos e momentos. Há momentos de falar e há momentos de calar. Contudo, como saber qual o ideal, se não nos calamos?

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o momento de calar?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 28/11/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 29/11/2011. Artigos inéditos serão publicados a partir de março de 2013.
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3 Comentários para "Não me Arrependo do Silêncio"

  • rosana - 24/01/2013

    Adorei esse artigo, como todos q leio esse veio abrir minha mente acho q devo calar diante de varias situaçoes sou muito faladeira, mas de hj emdiante vou lembrar sempre desse artigo vou me corrigindo aos poucos obrigado a vc q escreve tantas coisas bonitas e q serve de lição de vida pra todos.

  • tiago duminelli - 23/01/2013

    Uma frase que li, -Um abraço aproxima, e os gritos distanciam.
    Principalmente em momentos de raiva, que se grita, se fala e se acham os donos da razão. Sera que são?

  • Inês Ribeiro - 05/12/2011

    Sempre fui combatedora e ns combates sempre debatia e falava muito. Isso me impedia de ouvir e saber que chega uma hora que os argumentos se acabam. Então veio a maturidade. Hoje sou vista com estranheza pelas pessoas pq aquela que muito falava no passado, hoje se silencia na maior parte do tempo. Então percebo o quanto o silencio é valioso, mas ele é um exercício. Com ele, até mesmo a avaliação que tinha das pessoas e coisas no passado, mudaram de padrão. Louco isso não?

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