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Beto Colombo

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Nossos Velhos Heróis

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Nossos Velhos Heróis

Querido leitor, aceite o meu fraternal abraço. Nosso tema hoje é sobre nossos velhos, nossos pais. 

Li recentemente um artigo da escritora Martha Medeiros, cujo título é o mesmo que o meu: “Nossos velhos”, que julguei ser importante que mais gente pudesse refletir. 

Pais heróis e mães heroínas do lar, escreve Marta Medeiros, lembrando que muitos de nós passa boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos. Mas, chega o dia em que o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. Além do pai herói, também a heroína do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá de implicar com a empregada. “O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?”, pergunta ela. A resposta é implacável e inadiável: Envelheceram... Nossos pais envelhecem.  Ninguém havia nos preparado para isso. 

Boa lembrança da escritora gaúcha, ninguém nos ensinou e nem falou a sério que nossos pais iriam envelhecer. “Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas”, enraíza ela. 

Chega um tempo em que nossos pais se cansam de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que para isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Afinal de contas, eles têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam, escreve Martha Medeiros. 

Nossos heróis, agora, não fazem mais planos a longo prazo, dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas, ressalta Martha Medeiros, não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida. 

Todos sabemos que é complicado aceitar que nossos heróis e heroínas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo. Ficamos irritados e alguns chegam a gritar se eles se atrapalham com o celular ou outro equipamento e ainda não temos paciência para ouvir pela milésima vez a mesma história que contam como se acabassem de tê-la vivido. 

Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis. Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. 

Essa nossa intolerância provavelmente só pode ser medo. Medo de perdê-los e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. Com todas as nossas irritações, só provocamos mais tristeza àqueles que um dia só procuraram nos dar alegrias. 

Por que não conseguimos ser um pouco do que eles foram para nós? - pergunta a escritora. Quantas noites estes heróis e heroínas passaram ao lado de nossa cama, medicando, cuidando e medindo febres! E nós ficamos irritados quando eles esquecem de tomar seus remédios, e ao brigar com eles, os deixamos chorando, tal qual crianças que fomos um dia. 

É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Ensinam-nos a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros... Ainda mais quando os outros são nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar e sabíamos que estariam com seus braços abertos, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós. 

Façamos por eles hoje o melhor, o máximo que pudermos, para que amanhã quando eles já não estiverem mais aqui conosco possamos lembrar deles com carinho, de seus sorrisos de alegria e não das lágrimas de tristeza que eles tenham derramado por nossa causa. 

Afinal, nossos heróis de ontem... Serão nossos heróis eternamente... 

É assim como nossos heróis se apresentam à Martha Medeiros e para mim hoje. E você, o que pensa sobre nossos velhos heróis? 
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 14/05/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 15/05/2012.

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4 Comentários para "Nossos Velhos Heróis"

  • regina valente - 21/05/2012

    Verdade, me fez chorar muito.. ficamos tão centrados em ter, em fazer, que quase não paramos pra conversar com eles, tomar um café, rir do que ja foi, mas que bom que recebi este artigo, vou imprimir e deixar onde possa ver sempre pra me lembrar que graças a Deus meus heróis estão comigo, vou aproveitar..bjs a todos.

  • Emerson - Memé - 14/05/2012

    Tão verdadeiro e profundo que chega a ser chocante!
    Fantástico.

  • Sergio Gonçalves Sardinha - 14/05/2012

    Fantastico, exelente. Tudo isso ocorre em m/família, comove-me e irrita-me qdo. noto a falta de paciencia de minhas irmãs c/m/mãe de 86 anos. Parabnéns estou emocionado c/ este texto.

  • Luiz Eduardo Gonçalves - 14/05/2012

    é amigo, Beto 60 dias longe de Criciúma, começa a bater a saudade, e seu artigo me esta fazendo refletir... será que vale a pena, essa nossa corrida jovem pelo ouro(carreira profissional, dinheiro), e deixar de viver ao lado de nossa familia. será que este dinheiro vale mais que um café da tarde na casa da mãe, bolinho de chuva, cavaquinho,aquela carne ensopada, aquele abraço... será que vale a pena?

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