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Beto Colombo

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Novo SUS?

Querido leitor, aceite o meu caloroso e fraternal abraço. Hoje vamos refletir sobre um importante tema, que é o sistema de saúde privado.

Embora seja, na teoria, um dos mais modernos sistemas de saúde do planeta, o Sistema Único de Saúde do Brasil ainda está longe de ser, na prática, a conquista do papel. Profissionais mal remunerados, filas imensas, burocracia. É claro que devemos incluir neste raciocínio a visão doentia que grande parte da população, cria de si mesma. A cultura da doença, da vítima, de chamar atenção.

Contra esta realidade, surgiu como alternativa em nosso país os planos de saúde, sejam eles particulares, como o seguro saúde dos bancos, quanto os organizados em cooperativas. No início, quando surgiram, estes planos e seguros saúde eram eficazes, fluíam e atendiam as necessidades dos seus clientes.

Hoje já não dá para dizer a mesma coisa sobre estes planos e seguros saúde. Nós, como usuários, às vezes temos a impressão de que estamos pagando por um novo SUS, um SUS um pouquinho melhorado.

Para se marcar uma consulta particular é uma facilidade, mas quando se fala que é plano de saúde a dificuldade aumenta, a ponto de se levar três, até quatro meses aguardando por um especialista. Um amigo meu reclamou que estava com problemas cardíacos e que só conseguiu marcar consulta com um cardiologista quatro meses depois.

Ildo Meyer, amigo e filósofo clínico, é médico em Porto Alegre e escancarou esta realidade em seu site. “Em virtude da baixa remuneração oferecida aos médicos pelos planos de saúde, preciso atender um número excessivo de pacientes para dar conta de despesas tais como aluguel, secretária, telefone, livros, congressos, anuidades de conselhos regionais, impostos. Isso ocasiona um tempo médio de atendimento por paciente de 20 minutos, insuficiente para uma consulta de qualidade, por mais experiente que o médico seja”.

Como se isso não bastasse, recentemente fui a uma clínica particular fazer uma tomografia emergencial, pois no hospital do meu plano não tinha vaga para aquele momento, e qual não foi minha surpresa quando não pude seguir com o procedimento porque não havia autorizado. Tentei de todas as formas fazer o exame e depois trazer a autorização, sem sucesso. Tive que ir à sede da administração do meu plano para a tal autorização. Aproveitei e dei carona à dona Cleusa e sua acompanhante; aquela, uma senhora de bengala no alto dos seus 76 anos que teria que também ir atrás da tal autorização pegando dois ônibus e perderia praticamente o dia todo.

Ao chegar no local indicado, tudo livre. Rapidamente sou chamado. Entrego a guia a atendente que não pede nenhum documento como identidade ou CPF, apenas checa alguns dados na tela do computador e carimba a folha. Simpática, ela me olha e diz: “Pronto, está autorizado”. Eu não acreditei no que estava passando, por fração de segundo me senti manipulado, usado, pois constatei que todo este trabalho poderia ser efetuado por e-mail, telefone, enfim, poderia ser facilitada a vida de nós usuários. Na era da informação preciso atravessar a cidade em busca de um carimbo, é inacreditável. A menos que o objetivo não seja este, pelo contrário.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, como analisa alguns planos e os seguros saúde, estão se transformando em um novo SUS?

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 05/12/2012 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 06/12/2012.

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5 Comentários para "Novo SUS?"

  • ivanete de march - 07/12/2012

    Sem muitos comentários... de tanta "aberração"., tamanha precariedade, a começar lá por cima, da estrutura governamental (se é que lá existe estrutura??)...e depois...e depois, é tudo que vemos, constantemente...
    Abraço

  • Jô Lopes - 06/12/2012

    Boa tarde,querido Beto...!
    A nossa realidade brasileira, sobre as políticas de assistências sociais é crítica. Os planos de saúde particulares se tornou realmente um SUS,temos as normas de direitos mas,não temos os direitos na prática. É: exames com longas datas de espera,consultas médicas de especialistas marcadas, com espera de 4 a 6 meses.E consultórios lotados com a espera de consultas até de 3.00h. E médicos exaustos e mal remunerados.Mesmo assim, não temos representantes de lutas frente e nem ação conjunta ,para mudar esse quadro, de descaso dos direitos do cidadão...

  • Lucinéia Marcolino - 05/12/2012

    Concordo 100% com tudo que foi escrito.
    Várias vezes entramos no hospital unimed para uma consulta de emergência com pediatra e no painel diz ¨tempo de espera 50 min¨ depois de mais ou menos 1 h 1 20 min você é atendido. E isto vale também para os consultórios particulares cheios onde você espera também um tempão para ser atendido, pois marcam cada paciente com 15 min de diferença... É isso é o nosso Brasil.

  • Carlota - 05/12/2012

    Há anos digo q pago 3 vezes tudo. Por ex: Na Saude, o SUS, a Unimed e o particular. No Carro: seguro obrigatorio, o da seguradora e o extras q a franquia não cobre. Na Escola: a publica, a particular e as aulas extras q são necessárias. É o desgoverno q temos. Abç

  • Marcio - 05/12/2012

    O que fazem com os usuários, é o "ó do borogodó" ou o "cú da cobra" como dizia minha falecida sogra e Ruberval Piloto respectivamente. No mundo eletrônico que vivemos, fazer as pessoas passarem pelo que diz sua narrativa é inconcebível.
    Abs.
    Márcio

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