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Beto Colombo

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O Caminho dos Pensamentos

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O Caminho dos Pensamentos

Querido leitor que você esteja em paz. Hoje vamos refletir sobre o caminho, mas o caminho dos pensamentos. 

Recentemente minha companheira Albany e eu, juntamente com alguns amigos peregrinos, fizemos uma trilha no norte da ilha, Florianópolis. Iniciamos na praia da Daniela, passamos pela praia do Forte, Jurerê Internacional, Jurerê Tradicional, Canajurê, Canasvieiras, Cachoeira de Bom Jesus e, finalmente, encerramos nossa jornada daquele dia na praia de Ponta das Canas. 

No primeiro trecho da caminhada, que compreende a Praia da Daniela até a praia do Forte, não lembro do trajeto, pois minha mente ficou tão tagarela que chegou a dar amnésia momentânea. Em resumo: caminhei quilômetros sem perceber o caminho, apenas fiquei pensando em acontecimentos passados que insistiam em aflorar. Já tive depoimentos de peregrinos que disseram que a pior parte do caminho foi conviver consigo mesmos, com seus pensamentos que insistiam em não ir embora e ficavam a infernizá-los naquelas longas horas de solitude em que se encontravam. 

O nosso caminho, como disse, iniciou na Praia da Daniela e findou na praia de Ponta das Canas, ou seja, saímos de um ponto e chegamos a outro. Durante o percurso é necessário que se faça uso de ferramentas. Se o caminho for físico, o deslocamento precisará ser físico; se for da fé, pode ser espiritual; e se o caminho for do pensamento? A questão aqui é: quais as ferramentas para percorrê-lo?
Assim como o nosso corpo (sensação) o pensamento (abstração) também precisa de certas trilhas para sair de um ponto até chegar a outro e, sendo assim, depende dos recursos para chegar rápido ou devagar. Dependendo das ferramentas usadas no trajeto, nem chegaremos ao nosso destino. 

O caminho físico conseguimos enxergar, pois também é visível. Porém, o caminho do pensamento é diferente do corpo, pois não conseguimos ver. Como então posso saber que recursos usar para percorrer os caminhos do pensamento? Será que esses recursos são bons? Chego aonde desejo chegar ou fico andando em círculos como o cachorro querendo morder o próprio rabo? Para entender melhor, vamos a um exemplo. 

No processo de promoção da Anjo, empresa que presido, primeiramente abre-se uma seleção interna para o nosso pessoal. No processo, descrevemos os requisitos necessários para quem quer se inscrever para a vaga. Só se não tiver nenhum inscrito é que, então, vamos buscá-los no mercado. 

Dia 20 de abril fizemos a festa de aniversario da Anjo, 26 anos, e depois do primeiro gole, um colega de trabalho criou coragem e desabafou. Disse que o sonho dele era se candidatar a vaga de administrador de uma filial, porém, ele ainda não tinha os requisitos necessários, por isso desconfiava que ainda não estava pronto. Disse que queria muito mudar de cidade e, consequentemente, de salário. Queria crescer, mostrar que poderia ser capaz, mas sabia que ainda não estava pronto. 

Durante o breve diálogo, percebi que meu interlocutor ficava ruborizado. Além disso, se emocionava, calava, gaguejava. Diante daquela cena, percebi que alguns dos colegas viam a cena, mas não conseguiam entender o que estava acontecendo. Disse-me ele que na época do recrutamento sentiu uma grande vontade de falar o quanto desejava o cargo, mas ficou reticente porque se achava incapacitado e que jamais a empresa iria aceitar alguém iniciante para assumir tal cargo. “Eu suava frio, e sem coragem preferi me retirar e até chorar de raiva escondido para que meus colegas não percebessem. Meu pai me alertou que homem não deve se mostrar chorando, ainda mais na empresa”. Que coisa, não? 

Vamos fazer uma revisão desse caso, desse exemplo. Veja você que os pensamentos de nosso colega começam pelas “buscas”, passam pelo “o que acha de si mesmo”, seguem pelas “emoções”, depois “sensações” e acabam por se bloquear quando pensa no que “os outros vão pensar dele” e finaliza no pré-juizo agendado por seu pai. Nesse caso, se esse profissional de nossa empresa não mudar o caminho de seus pensamentos é provável que cada vez que situações como essas aparecerem, o resultado será semelhante ao ocorrido. Aqui é o pensamento que determina as ações, mas há também os casos em que as ações determinam os pensamentos. 

Para finalizar, a questão chave deste artigo: assim como a trilha do fim de semana começou na Daniela e terminou na Ponta das Canas, você já pensou se cada um de nós souber seguir a trilha de nossos pensamentos? Com certeza, a vida seria mais simples, justamente porque faríamos muitos atalhos para chegar mais rápido ao nosso destino. Ou não. 

Essa é a trilha dos meus pensamentos hoje. E você, o que pensa sobre o caminho dos pensamentos? 
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 13/06/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 14/06/2012.

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2 Comentários para "O Caminho dos Pensamentos"

  • tiago duminelli - 16/04/2013

    Interessantissimo o artigo Beto, parabens pela visão.
    E com toda a certeza esse nao é o unico caso, em que nós bloqueamos algo que queremos pois a cultura ensina isso, então aprendemos que precisamos saber onde queremos chegar e como queremos chegar. Somos capazes de tudo, basta querer e ter força de vontade.
    Aprendi uma frase que diz: O MEDO CEGA OS NOSSOS SONHOS. E utilizo ela no meu dia a dia, pois temos que lutar pelos nossos sonhos e saber o que nós queremos e nao os outros.

  • Danyelle Souza da Silva Correia - 13/06/2012

    Como o Mundo me Parece mim fez superar muita dificuldade que já tive na minha vida, me fez ver o mundo e as pessoas de forma diferente. Ou seja, mim fez ver o quanto vale a pena seguir em frente e não parar nunca.

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