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Beto Colombo

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O Câncer dos Políticos

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O Câncer dos Políticos

O quiosque do Carlinhos é o ponto de encontro de alguns dos moradores de Jurerê, praia que veraneamos desde a década de 1990. No verão, encontramos amigos da praia de todos os cantos do Brasil e até dos países vizinhos que, às vezes, nos vimos apenas nos meses de dezembro e janeiro de cada ano. Colocamos as piadas em dia e filosofamos em diversos campos do conhecimento, dentre eles, esse assunto que abordarei nesta oportunidade: o câncer dos políticos. 

Sobre isso, o câncer dos políticos, Hermano Alexandro, argentino de Córdoba, trouxe-nos um jornal chamado La Nacion que abordava o câncer da Cristina Kirchner. O texto do jornal argentino dizia: “O tumor descoberto na presidente Cristina Kirchner atualiza o problema do vínculo entre doença e poder. A questão é preocupante: a doença descobre o que o poder quer esconder. A fragilidade, o limite. Durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin, Roosevelt, Churchill, Mussolini e Hitler sofriam, cada um, sua aflição. Na América Latina, Chávez, Lugo, Lula, Dilma, Uribe, e agora Cristina, foram afetados pelo câncer”. 

A matéria ainda dá outros detalhes. Segue: “Nelson Castro escreveu que o poder adoece pelas tensões que gera. Para a psicanalista Elsa Aisemberg, aqueles que não podem simbolizar o sofrimento tramitam um duelo com o corpo. Normalmente são pessoas que valorizam mais o sucesso e o peremptório do que a reflexão. O especialista Alberto Lederman inverte o vínculo: “Há uma idealização segundo a qual o poder é um meio para atingir determinados fins. Antes disso, o poder é uma estratégia defensiva para proteger uma vulnerabilidade emocional do mundo do sujeito. Atrás do poder vai quem precisa”. Esse é o texto do jornal. 

Alexandro, sabendo da minha paixão pela filosofia clínica, me perguntou como nós, filósofos, vemos isso e se Hugo Chaves tem alguma razão em afirmar que o diabólico Imperialismo Americano está por traz disso. Minha resposta foi categórica: não acredito em conspiração estadunidense, cujo objetivo é adoecer os líderes da América Latina, como levantou o presidente da Venezuela. 

Provavelmente você, querido leitor, conhece políticos próximos que tenham esta doença ou já morreram de câncer. Esse é um assunto muito sério tratado na filosofia clínica. A pergunta poderia ser: Por que há então uma parte dos políticos que está com idade avançada e não contraiu a tal doença, mesmo com tantos anos de militância política? 

Em filosofia clínica trabalhamos com a singularidade por intermédio da história de vida da pessoa, assim podemos trilhar alguns caminhos. Um exemplo é daquelas pessoas que têm o sensorial ligado ao abstrato, ou seja, o pensamento ligado ao corpo. Nestas pessoas, caso o tópico fraco ou predisponente seja o sensorial, os males que elas vivem nas ideias podem se materializar no corpo. Seria a somatização. É o caso de haver um choque na estrutura de pensamento onde dois tópicos relacionem-se de maneira antagônica, o resultado dessa pressão exercida entre os dois tópicos pode alojar-se no corpo. 

Tem ainda aquelas pessoas cuja estrutura de pensamento é permeável. Estas podem absorver a pressão externa causando uma verdadeira ebulição dentro do organismo. Dependendo da capacidade de resiliência do indivíduo, isso pode se externar em uma doença como um câncer, por exemplo. E se os dois exemplos forem a mesma pessoa? Lembro que para saber a gênese, somente com a historicidade da pessoa. E que as causas podem ser muitas, inclusive de ordem genética e eu não sou médico para dissertar sobre o assunto. 

Imagine uma pessoa cujo tópico determinante é axiologia, ou seja, valores e, para ela, se eleger tenha que enfrentar disputas imorais, antiéticas. Enfim, o confronto e a competição são o padrão e o ganhar pelo ganhar é a palavra chave. Mais: que o coordenador de campanha tenha como pré-juízo “os fins justificam os meios”. Digamos que o partido exija que essa seja a condição e que esse seja o lema, o norte da campanha? Vamos adiante e digamos que ele se eleja e, para governar, tenha que fazer aliança com corruptos e outros bandidos infiltrados no poder. Imaginou? Pois é, talvez seja essa a explicação porque muitos adoecem, porque muitos estão com câncer, não suportaram a pressão tanto externa quanto interna. Lembrando que para cada um é de um jeito. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o câncer dos políticos?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 02/10/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 03/10/2012.

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1 Comentários para "O Câncer dos Políticos"

  • ivone castellar - 27/03/2012

    Este é um desafio para os filósofos clínicos...

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