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Beto Colombo

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O Caso do Frei

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O Caso do Frei

Querida leitora, querido leitor, que você esteja bem e em paz! Ultimamente, algumas pessoas tem me instigado a me manifestar sobre como a filosofia clínica se posiciona nesses dois casos que envolveram o noticiário nacional e regional. Refiro-me a mulher que esquartejou o marido, o colocou em malas e depois se desfez do corpo. E também do frei que ministrava o ministério Cristão na cidade de Forquilhinha e que está preso acusado de pedofilia.

No caso do religioso, como conhecemos um pouco da sua historicidade, é importante não reduzir a um ato, ou seja, se ele relamente cometeu tal falta não podemos crucificá-lo e, de um momento para o outro, toda sua história seja resumida no “Frei Pedófilo”. Aquele que não tiver nenhum pecado que atire a primeira pedra, nos ensinou o mestre em um caso muito parecido.

No caso, o Frei, é isso que as vítimas estão denunciando, é verdade. Mas, é claro, há um processo a transcorrer e um veredicto a ser proferido. Isso é fato. Mas também é verdade que o Frei não é só isso, ele é muito mais e é sempre oportuno lembrarmos disso.

Sempre que casos como estes me são trazidos, não tenho como não me lembrar do filme brasileiro “Bicho de Sete Cabeças”, onde um jovem experimenta pela primeira vez maconha. É pego pelo pai, um senhor rígido e conservador que, sem trocar sequer uma palavra, interna o filho, a sua revelia. Ao reduzir o filho, o pai leva o jovem a situações devastadoras obrigando-o a isolar-se no seu próprio mundo. E tudo porque ele havia experimentado, pela primeira vez, a maconha.

Também, nesse caso, não posso deixar de lembrar o livro “O Caso dos Exploradores de Caverna”, onde, depois de um desmoronamento, um grupo ficou preso dentro de uma caverna por mais de 30 dias. E, por absoluta falta de alimento, fizeram um acordo e tiraram a sorte para saber qual deles seria morto e devorado pelos companheiros pela sobrevivência dos demais. Depois de libertados, acabaram sendo condenados à forca pelo que fizeram dentro da caverna.

Será que os júris que condenaram a forca aqueles exploradores realmente conheciam o que aconteceu dentro da caverna? Conhecer é uma coisa, agora viver o acontecido é outra coisa.

Não estou negando o fato. Não pretendo sair aqui em defesa da mulher e do frei, mas quero, sim, lembrar que todo texto tem um contexto. Que todos temos luz e todos temos sombra e que adoecemos, como indivíduo, como família, como sociedade, quando reduzimos as pessoas as suas sombras, nos apegamos a elas e achamos que isso é a pessoa. Seria como jogar o bebê fora junto com a água suja da banheira.

Interessante é que essas mazelas desnudam o quanto nossa sociedade está doente e necessita voltar ao centro da verdadeira convivência. Negar, renegar, atirar pedras, reduzir ao ato, não vai nos fazer avançar como humanidade. Ou vai?

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre reduzir as pessoas somente a um ato?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 01/08/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 02/08/2012.

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4 Comentários para "O Caso do Frei"

  • Renata Nuernberg Warmling - 02/08/2012

    Boa tarde, muito bom este teu artigo para repensar nos julgamentos. Como o Bispo Jacinto mesmo falou em entrevista Jesus escolheu 12 apóstolos e 1 traiu, fez coisas erradas. Mas não podemos generalizar.


  • Fernando - 01/08/2012

    Prezado Beto Colombo,

    Realmente na maioria das vezes julgar uma vida por um ato é muito dificil, diria até mesmo impossivel, pois provavelmente este frei teve na vida muitas boas ações, porem não podemos nos esquecer que também essa ação "unica" possa não ser "unica" pois pode ser a unica que foi descoberta. Enfatizo que estou dizendo isso de uma maneira abrangente, pois desconheço os fatos e a historia. Porem outra coisa que me leva a pensar como o mundo me parece e como parece a outras pessoas são os diferentes pontos de vista de cada um, imaginemos que a criança que foi violentada por esse frei fosse nosso filho, como estariamos vendo este frei por apenas este ato?

    Muito Obrigado,

    Fernando

  • Adauton luiz Deolindo - 01/08/2012

    Realmente o mais difícil da vida é ser certinho. Mesmo que você seja certinho a vida toda se errou tem que pagar pelo seu erro. Quando ficamos muito a vontade é ai que começamos a errar, por isso sempre precisamos de alguém por perto nos vigiando, não cobrando mas alertando. Só um AMIGO faz isso.

  • Jatir Menegoto - 01/08/2012

    Bom dia amigo Beto,
    muito bem observado nesta matéria o quando as pessoas continuam fazendo julgamento apenas por um ato, costumo dizer que antes de emitir sua opinião ou julgar, faça uma exame de conciência e coloque-se no lugar do julgado e veja qual seria sua reação...
    abraços
    Jatir Menegoto

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