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Beto Colombo

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O Caso do Goleiro Bruno

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Numa entrevista no Programa Adelor Lessa, na última terça-feira, ele perguntou como a Filosofia Clínica vê esse caso do goleiro Bruno.

Minha resposta foi que tenho ouvido tantas coisas, tantas controvérsias a respeito desse caso que está abalando o país, do goleiro Bruno, seu amigo Macarrão e os demais envolvidos e também li nos jornais tantos absurdos de algumas pessoas que dão seu ponto de vista apenas pelos noticiários e de “ouvir dizer que...”.

Lembro-me do livro “O Caso dos Exploradores de Caverna”, onde depois de ficar presos (desmoronamento) dentro de uma caverna por mais de trinta dias e por faltar comida, fizeram um acordo e tiraram a sorte para saber qual deles seria morto e devorado pelos companheiros pela sobrevivência dos demais. Depois de libertados, acabaram sendo condenados à forca pelo que fizeram dentro da caverna.

Será que os júris que condenaram a forca aqueles exploradores realmente conheciam o que aconteceu dentro da caverna? Conhecer é uma coisa, agora viver o acontecido é outra coisa.

O que vejo nesse caso do Bruno é muitas pessoas falando e escrevendo de fora da caverna, julgando, condenando, dando seu ponto de vista, se posicionando conforme a estrutura de seu pensamento, portanto que tem muito a ver com ela mesma do que realmente aconteceu naquele contexto. O caso é grave, eu sei, e também estou comovido, agora como eu posso opinar com tantas opiniões, com tantos termos, equívocos, tão longe e principalmente do lado de fora da caverna? O que realmente aconteceu? Não sei. Essa é minha resposta. Não conheço o contexto, não tenho a historicidade, a não ser pelo que ouvi dizer.

Podemos, nesse caso, fazer tantas leituras. Um psicólogo pode fazer a sua leitura. Do ponto de vista médico, pode se fazer ainda outra, do ponto de vista ético ainda outra, religioso provavelmente é outra leitura e diferente das demais.

Sobre a ótica da filosofia clínica, falo por mim, penso que a melhor leitura é a leitura de dentro da caverna. Nós não sabemos, de fato, o que aconteceu, o que se passou, e alguns de nós ficam atirando contra o inimigo de dentro da trincheira e comemorando quando acerta. Talvez se conhecesse o inimigo, sua historicidade, sua intimidade, sua família, seus amigos, filhos, mãe, pai, irmão. Será que um tiro acertado seria motivo de comemoração?

O que tenho lido e ouvido sobre esse caso do goleiro Bruno é um grande tiroteio. E se aparecer um fato novo que muda toda a trajetória investigativa? Estou dizendo que não cabe a nós julgar, atirar pedras, condenar sem saber o que aconteceu dentro da caverna. Os juízes vão aplicar a lei dos homens e se os envolvidos forem condenados vão pagar conforme essas leis. E quem comete delitos como esse que supostamente foram cometidos, vão pagar a conta com ele mesmo e também com a justiça dos homens.

Será que a resposta para esse e tantos outros casos está nessas leis e nessas punições? Penso que de fora da caverna só me resta ouvir, anotar, me comover e esperar.

Isso é assim para mim.

Estamos juntos
Beto Colombo
 
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Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 15/07/2010.

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1 Comentários para "O Caso do Goleiro Bruno"

  • Gisele Santana - 24/07/2010

    concordo com vc, neste caso só quem estava envolvido é que sabe a verdade, ao que me parece é muito mais uma fogueira, todos os envolvidos podem se queimar ou no minimo sair chamuscados do episodio.

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