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Beto Colombo

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O Exemplo que Vem do Japão

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Há dias, quando o Criciúma Esporte Clube, time da nossa região, disputou a primeira final do campeonato catarinense de 2011 em casa, resolvi ir ao Estádio para assistir ao jogo. Fui com familiares, amigos para curtir uma tarde diferente, pois não é mais meu hábito ir aos jogos de futebol.

É sempre bom ir onde há um aglomerado de pessoas, pois nesses lugares sempre se encontra pessoas que normalmente não vimos no cotidiano. Muda-se a rotina e mudamos também quem encontramos.

Mas não é de encontros quero falar. Atenho-me hoje ao que vi no lado de fora do estádio, antes de começar o jogo. Vou falar sobre as filas.

Como tinham quase 20 mil pessoas entrando num espaço com poucos portões, era lógico que haveria muitas filas. Outro agravante: era dia das mães e os torcedores ainda retardaram ao máximo suas chegadas ao estádio.

Conclusão: gargalo, afunilamento, mais gente querendo entrar do que os portões poderiam suportar. 

Percebi que crianças se espremiam nas filas, pais carregavam menores no colo, nos ombros, homens, mulheres, jovens, adultos e até aposentados. Muitos, pacientemente, aguardavam sua vez de acessar os portões e depois entrar no estádio. Conversei com pessoas que ficaram 30 e até 40 minutos andando a passo de tartaruga até, enfim, respirar um ar mais fresco quando sentaram nas arquibancadas.

Mas não ocorreu tudo bem, às mil maravilhas. Houve alguns torcedores, jovens, adultos, homens e mulheres, que chegaram tarde e furaram filas, deixando quem estava esperando para trás. Eles simplesmente iam se enfiando, apesar dos tímidos protestos de alguns membros das filas. Vamos combinar, é sacanagem você saber que pessoas estão lá atrás da fila e você, espertamente, vem a toma o lugar de outros, você não acha?

Observando tudo isso, logo fiz uma ligação com o terremoto que atingiu o Japão recentemente. Famílias destroçadas, empresas destruídas, vidas dizimadas, desolação. Faltava água, comida e as pessoas foram sendo transferidas aos poucos, mas ninguém passava na frente do outro, não havia um “jeitinho”, imperava o respeito cultural.

Mas não quero me focar nas poucas pessoas que quiseram levar vantagem em cima das outras, vou me fixar nas centenas de milhares delas que pacientemente permaneceram na fila e deixaram um exemplo de cidadania e ética.

É assim, de fila em fila, ressaltando os pontos positivos das ações humanas que teremos um cotidiano mais ético, inclusive nas filas para entrar nos estádios de futebol.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o respeito às filas?

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 29/06/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 30/06/2011
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