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Beto Colombo

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O Grande Engano

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Boa parte dos filósofos modernos escreve sobre a teoria da ilusão, de como nós somos enganados. Falo do engano e do auto-engano, de como você não consegue ver o que não é real e tomar a ilusão pelo que é real. Há uma maneira de pensar na nossa sociedade, onde nós conferimos, muitas vezes, vida ao que é morto e damos como morto o que deveria estar vivo. 

Vamos lá, um exemplo! Quando vamos a uma loja e vimos a vitrine exposta com todo aquele aparato. Peguemos uma calça jeans: a calça é o morto e nós, ou quem a fabricou, é o vivo. Só que nós fazemos uma inversão sobre isso, a calça passa a ser o sujeito e nós passamos a ser a calça, o objeto. 

Somos sujeito, mas como nos transformamos no objeto? Seguimos o raciocínio do jeans: Provamos a calça e ela fica apertada, então ela fala pra gente: “Querida, querido, você está acima do peso; volte, faça uma dieta, matricule-se numa academia ou até mesmo faça uma lipoaspiração e depois retorne até mim que eu estarei aqui te esperando”. 

Isso é assim também para aquela pessoa (sujeito) que vai até a loja de carro e o dinheiro não alcança o valor do automóvel e este (coisa) diz ao trabalhador: “Volte lá, peça um aumento para seu superior ou então faça horas extras, se não der certo arrume um segundo ou um novo emprego ou faça um empréstimo que eu estarei aqui te esperando”. Ele vai e faz exatamente aquilo que o automóvel ordenou.

Isso causa um grande engano na sociedade moderna porque você  pensa que você é o sujeito das suas ações, mas na verdade você é o objeto das ações dos desejos que você criou. 

A pergunta é: Como acabar com esse grande engano? Talvez a grande resposta seja: como eliminar o mercado sem eliminar a liberdade política e econômica. Talvez seja investindo na sua autoestima, no amor próprio. Talvez não seja nada disso ou tudo isso, mas o mais importante é que você seja o sujeito da sua história decidindo conscientemente cada passo, cada compra.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre ser sujeito da sua história?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 22/07/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 23/07/2011
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1 Comentários para "O Grande Engano"

  • Enir Antonio Carradore - 22/07/2011

    Fiquei intrigado com o tema e saí a pesquisar. Revirei minha biblioteca e acabei recorrendo a maior delas, que é a Internet. Achei um artigo muito interessante que não separa sujeito e objeto, mas os considera complementares:

    "Ora, se o sujeito cognoscente não pode ser o que é sem ser também objeto, e se de outro lado o objeto não pode ser um radical não-sujeito, a conclusão fatal é que a condição de sujeito e a de objeto se exigem reciprocamente e não se separam senão in verbis. Na melhor das hipóteses, sujeito e objeto são nomes de funções que, porém, para ser exercidas, se requerem mutuamente não só no sujeito como também no objeto, possuindo cada um deles ambas as funções e só podendo ser sujeito e objeto um para o outro porque cada um deles é em si ambas as coisas."

    O artigo completo de Olavo de Carvalho está em:
    http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/sujobj.htm

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