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Beto Colombo

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O Tom das Árvores

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Das muitas e muitas histórias e estórias contadas sobre o imortal Tom Jobim, tem uma que destaco hoje. Para ele, amante da botânica, existia uma divindade nas árvores. Que saudades do Tom, de suas entrevistas, do seu jeito doce, de suas letras e músicas doces. Sonia Braga dizia que Tom Jobim era o homem que toda mulher desejaria, pois ele era masculino e feminino ao mesmo tempo.

Mas voltemos ao tom da nossa conversa de hoje, retornemos às árvores.

Certa vez, numa de suas brilhantes falas, Tom Jobim disse: “toda vez que uma árvore é cortada aqui na Terra, eu acredito que ela cresce outra vez em outro lugar, em algum outro mundo. Então, quando eu morrer, este é o lugar para onde eu quero ir, onde as árvores vivam em paz”. 

O que posso deduzir a partir desta fala que, para Tom, os seus deuses – com “d” minúsculo - são as árvores. É provável que para ele, toda vez que nós cortarmos uma árvore, cometemos um pecado mortal.

O que diria o Tom sobre a ordem de nosso prefeito de cortar as árvores da Praça Nereu Ramos? E aquela atrás do Lapagesse? E tantas outras cortadas e que ainda vão ser “degoladas”? Que direito temos nós sobre as árvores? Será que devemos ser juízes e julgar a morte ou vida das árvores? 

Em março de 2004 enfrentamos em nosso Estado o furacão Catarina. Lembro-me que no outro dia cedo fui até a Chácara do Mirante, na Lagoa dos Esteves, para ver se havia acontecido alguma coisa com nossas centenárias figueiras. “Elas resistiram”, foi minha frase ao telefone aos meus filhos. 

Que figueiras bonitas temos lá. Nelas vivem pássaros, lá eles fazem seus ninhos, as formigas sobem em seus troncos, as orquídeas e as bromélias se alimentam, as joaninhas, enfim, é uma festa de grande variedade de seres vivos que desfrutam daquele ser. Sempre que preciso me aquietar vou visitá-las, sei que elas estão lá me esperando como amigas fiéis a me escutar.

As árvores moram no silêncio, não se vingam, não são invejosas, inconfiáveis, mentirosas. O filósofo e poeta francês Gaston Bachelard definiu a nossa espécie homo sapiens como “seres que perderam a confiança dos pássaros”. Os pássaros se escondem dentre as árvores, nelas eles têm confiança. Sobre as árvores vejo que deixemos que vivam em paz, elas são deuses na crença de Tom, a quem espero encontrar caminhando entre belas e frondosas árvores quando eu também passar.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre as árvores?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 01/07/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 02/07/2011. Novos artigos neste espaço a partir de março de 2012.
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1 Comentários para "O Tom das Árvores"

  • jorge - 09/01/2012

    sentado embaixo de uma árvore aproveitando sua magnifica sombra e saboreando seus deliciosos frutos,é algo que todos deveriam fazer um dia,o que não podemos é esperar muito,pois esta dificil encontrar árvores,o que estamos encontrando em nossa região principalmente nas margens de nossos rios são plantações de arroz,uma devastação total.

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