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Beto Colombo

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O Último Discurso

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O Último Discurso

Querido leitor, querida leitora, paz! Hoje voltamos novamente ao mestre do cinema mudo, onde a imagem teria que ser completa para suscitar os demais sentidos. Refiro-me ao belo texto “O último discurso”, de Charles Chaplin, datado da década de 1940.

Ao referir-se ao grande imperador, ele iniciava dizendo que não pretendia ser um imperador. “Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível – judeus, negros e brancos. Para ele, todos nós desejamos ajudar uns aos outros, desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros?

Em seu último discurso, Charles Chaplin comenta que “o caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis”.

Em sua crítica à nossa humanidade, mesmo que em meados do século passado, parece nos ser extremamente atuais: “Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.

Em sua derradeira fala, Chaplin alerta aos que podem ouvi-lo: "Não desespereis! Soldados! Não vos entregueis a esses brutos que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos”.

Em um grito solitário e de alerta, Charles Chaplin nos lembra: “Não sois máquina! Homens é que sois! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós tendes o poder de criar máquinas, de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa”.

Portanto, comenta ele, “usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice”.

Charles Chaplin finaliza: “Vamos entrando num mundo novo, um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos”.

É assim como Charles Chaplin escreveu seu último discurso. E você, como escreveria o seu?

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 28/09/2012 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 29/09/2012

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1 Comentários para "O Último Discurso"

  • Jô Lopes - 28/09/2012

    Boa tarde,Beto querido...!
    "...A luz da esperança..."Está luz encontra-se dentro de nossos sonhos,ideias, buscas...num processo contínuo e renovador que nos movem em direção ao encontro do "eu em si ,e do eu no outro".E em cada encontro destes, o ser poderá, cada vez mais, se humanizar no mundo...

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