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Beto Colombo

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Os Fins Justificam os Meios?

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Os Fins Justificam os Meios?

Querido leitor e querida leitora, que vocês estejam em paz. Em tempos de política, de eleições municipais, vale a pena refletirmos sobre esta máxima: será que os fins justificam os meios?

Provavelmente, você já deve ter ouvido por aí, pelo menos em alguma oportunidade, que “os fins justificam os meios”. Outra dessas pérolas: “Na política o feio é perder”. Assim como estas, existem muitas outras frases prontas, feitas, e que muita gente aceita e reproduz.

Trago hoje para nossa reflexão diária um mestre nesse assunto, que é Nicolau Maquiavel, que nasceu no século XV em Florença, Itália, durante uma época de agitações constantes. Vale lembrar que a família Médici detinha o controle público, embora não oficial, da cidade havia 35 anos.

A história conta que após os franceses invadirem a Itália, com um exército numeroso, Florença foi declarada república e o Prior Dominicano da Ordem de São Marcos, Girolano Savonarola, passou a dominar a vida política florentina. Após acusar o papa de corrupção, Savonarola foi preso e queimado como herege.

Este fato levou Maquiavel à vida política florentina, tornando-se secretário da Segunda Chancelaria em 1498. No decorrer de suas atividades conheceu César Bórgia, inimigo da França, mas que deixou Maquiavel impressionado com seu vigor, inteligência e capacidade, sendo uma das fontes para sua futura obra, “O Príncipe”.

A tensão entre França e o papado levou Florença a lutar com os franceses contra o papa e seus aliados, os espanhóis. Os franceses e Florença perderam a guerra e em 1512 os espanhóis dissolveram o governo-estado e os Médici retornaram. Maquiavel foi exonerado de seu cargo e falsamente implicado numa trama contra o clã governante. Foi torturado, multado e aprisionado por um mês.

Após sair da prisão, decidiu presentear o chefe da família Médici com um livro, alinhado ao gênero popular da época: Conselhos a um Príncipe. O livro de Maquiavel, “O Príncipe”, era espirituoso, cínico, e nele o escritor iniciou seu argumento de que os objetivos de um governante justificam os meios usados para obtê-los.

Rejeitando a moralidade cristã, Maquiavel queria dar conselhos práticos a um príncipe, dizendo que os valores cristãos deviam ser postos de lado se atrapalhassem o seu caminho. Os fins justificam os meios é uma frase que representa o maquiavelismo e quer dizer que os governantes e outros poderes devem estar acima da ética e da moral para realizar seus planos.

Se fôssemos trazer para os dias de hoje, para a eleição deste ano, seria algo como “corrompa o eleitor e depois seja sério na câmara”. Ou “faça promessas para ganhar a eleição, depois faça o que é possível”. Enfim, faça tudo o que é necessário para sair vitorioso nesta eleição, não importa o que, depois se posicione de forma ética.

Você concorda com isso? Com um candidato corrupto antes das eleições, desde que depois ele seja correto?

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre “os fins justificam os meios?”

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 05/10/2012 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 06/10/2012

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4 Comentários para "Os Fins Justificam os Meios?"

  • jorge - 08/10/2012

    Olhe nos olhos do teu filho e fale ..Ele tá roubando mas esta fazendo alguma coisa,vai ser dessa forma que voce vai formar o carater do seu filho.

  • Lenir Joaquina Goulart - 06/10/2012

    Penso que somos ou não somos. Dizendo melhor: em todas as situações ou somos éticos ou não somos, ou somos honestos ou não somos.

    A postura de " O Principe" de Maquiavel é o que predomina, infelizmente.
    Estou lendo "A Princesa" De Harriete Rubin é outra possibilidade.

  • Márcia - 05/10/2012

    Muito interessante essa reflexão Beto, pois esse tipo de prática é o que tem permeado a vida pública em nosso país. Já escutei algumas vezes a seguinte frase: "Roubou, mas fez!".Que tipo de ética é essa? Não existem meias verdades, nem meias mentiras! Está mais do que na hora de nós, brasileiros, mudarmos esse cenário. Só depende de nós! Quando o eleitor, cidadão comum, se conscientizar do seu papel e da sua responsabilidade, esse tipo de gente não se cria!

  • Ronaldo Maia Piason - 05/10/2012

    Nada justifica a injustiça.

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