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Beto Colombo

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Os Números dizem Tudo

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Querido leitor, que você esteja bem e em paz! Nosso tema hoje é sobre a influência do marketing em nossas vidas tendo como pano de fundo a falência da franquia do Colégio Energia, em Criciúma (SC). Neste caso, dos quatro Ps do marketing (produto, praça, preço e promoção), vamos nos ater ao “P” da promoção, propaganda.

Um amigo publicitário me disse recentemente que, mesmo sabendo da informação de que o colégio Energia não estava muito bem economicamente, acabou refazendo a matrícula das duas filhas. Quis mantê-las numa instituição com bons professores e excelentes resultados no vestibular, além de receber um bom desconto pagando a anualidade à vista.

Mas o artigo de hoje não é pra falar de falência, da surpresa do fechamento do colégio Energia, do transtorno das famílias, do trauma nas crianças, isso já foi bastante debatido. Meu objeto agora é discorrer sobre o poder do marketing.

Se não, vejamos: até meu amigo publicitário, uma pessoa bem informada sobre a comunicação e suas nuances, para não dizer outra coisa, acabou sendo vítima do belo marketing que o colégio Energia tinha. No final de tudo, o que ficava era a imagem de um colégio de bom conteúdo e “passador” em vestibular, que é o que boa parte dos pais querem, que seus filhos passem na seleção para entrar, principalmente, na universidade federal. Jamais foi esclarecido, em suas propagandas, que muito do sucesso no vestibular era em detrimento de alunos que foram recrutados na porta de outros tradicionais colégios para fazer o pré-vestibular, apenas o cursinho.

Lembro do dia em que o Rodrigo, nosso filho caçula, falou dos descontos além do racional que eles davam para antecipar as parcelas do ano, recordei das palavras de minha mãezinha, “quando a esmola é demais até o santo desconfia”. Voltemos ao marketing, pois junto com ele estavam os sinais de que algo não estava bem naquela empresa. Ordem de despejo já não era sigilosa, pois meu amigo publicitário sabia, além dele, muitas outras pessoas. Os professores não tinham seus fundos de garantia recolhidos, o setor financeiro do colégio aplicava descontos para quem pagava com cheques pré-datados o ano todo e depois ia nas factorings descontar. Como se não bastasse, fecharam em Araranguá.

Mas parece que nada disso despertou a consciência de algumas pessoas que, mais do que não interpretar os sinais, não queriam ver as evidências. Tudo por causa da imagem solidificada na mente e nos corações das pessoas de uma instituição cujo ensino era puxado e eficaz. Novamente o marketing  entra em campo, dribla a lógica, a razão, faz uma tabela com a emoção e segue ganhando num jogo que muitos acreditavam ser real, mas o tempo demonstrou ser um jogo virtual.

Esse exemplo me chegou como uma flecha e me fez questionar sobre quantas outras organizações, como o colégio Energia, vão morrer ou já estão falidos, pois os sinais também são inequívocos, e nós, mentes obtusas pelo marketing, não aceitamos os novos dados, negamos a realidade e num futuro breve nos diremos surpresos com o ocorrido. Até quando vamos seguir teimosos, fixos, apegados a um mundo ideal, onde as coisas são para sempre, e nos voltarmos para a visão real do cotidiano, onde o sucesso do passado pode não ser a garantia do futuro? As coisas mudam, tudo passa. No dizer de Marx, “tudo que é sólido, se desmancha no ar”.

Para fechar essa reflexão, não poderia deixar de trazer o outdoor do colégio energia que insiste em divulgar que é o campeão de aprovação em medicina da Unesc. Em letras garrafais, eles já anunciavam: “Os números dizem tudo”. E dizem mesmo, números de protestos, de títulos frios, números de meses de aluguel atrasado... Os sinais estavam visíveis e foram ofuscados pelas eficazes ferramentas do marketing.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre marketing?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 21/03/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 22/03/2012.
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4 Comentários para "Os Números dizem Tudo"

  • Elizane - 21/03/2012

    Prestar atenção aos sinais talvez seja mais difícil que interpretá-los depois de reconhecidos.., passamos batido sobre várias situações recorrentes e que de certa forma passa direto pela "peneira" do nosso filtro mental..

  • Albany R. Colombo - 21/03/2012

    Parabéns pelo artigo,
    O último paragrafo fechou com chave de ouro!

  • ivone castellar - 21/03/2012

    Isso é muito bom! Parabéns! Grande abraço.
    "Novamente o marketing entra em campo, dribla a lógica, a razão, faz uma tabela com a emoção e segue ganhando num jogo que muitos acreditavam ser real, mas o tempo demonstrou ser um jogo virtual."

  • marcio - 21/03/2012

    analisando o desfecho do ocorrido com essa instituição e o belo comentário feito(beto), me vem a mente uma frase que meu pai fala "vivemos num mundo de fantasia, onde a publicidade esconde o verdadeiro estado que se esconde o mundo e muitas corporações, falência". Pode parecer que sou pessimista, mas não sou, pois luto até a última fagulha de esperança que houver, mas, não é novidade para uma pessoa observadora e sábia, que o mundo está com seus dias contados, pelo menos do ponto de vista economico e social. podemos esperar uma rápida e profunda mudança muito em breve. Assim que o mundo me parece! Márcio

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