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Beto Colombo

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Querido leitor, que você esteja bem. Nosso tema hoje é pássaros.

Nosso escritório central, onde funciona a parte administrativa e financeira da Anjo, foi planejado pelo arquiteto Décio Góes e é uma aconchegante construção. Tem verde, as pessoas se enxergam e conversam abertamente. Realmente é um local agradável de estar e trabalhar.

Por ser um local amplo, também tem muitos vidros e aberturas, mas nestes dias de calor, sempre as mantemos fechadas para manter o ambiente refrigerado. Mas, como escrevi ali em cima, nosso tema não é arquitetura, vidraçaria ou aclimatação, é sobre pássaros.

Gaston Bachelard, poeta e filósofo francês, diz que nós, homens, “somos seres que perderam a confiança dos pássaros”.

Sobre eles, os pássaros, tem nos trazido muitas reflexões nestes últimos tempos, pois não se sabe por onde, eles entram neste ambiente do escritório e começam a se debater contra os vidros. No início, as pessoas tentavam esquecer os pássaros ali, mas depois de muitos minutos, fica impossível trabalhar.

Pelo que observei, não é que os pássaros causam um alvoroço grande a ponto de tirar a concentração dos profissionais. Pelo contrário. Com o passar do tempo, eles se cansam e ficam quietos no canto. Observando aquele sofrimento, ninguém mais consegue trabalhar direito enquanto aquele bichinho não bater asas nos céus da nossa cidade.

De vez em quando aparece um. Primeiro foi a sabiá, depois um bem-te-vi e até um beija-flor. O fato é que eles entram e geralmente não conseguem sair. Para tanto, é necessário fazer uma verdadeira operação de guerra com táticas cada vez mais apuradas para libertá-los. 

Sabemos que o local onde trabalhamos é fresquinho, aconchegante, tem flores e folhagens. Enfim, é bastante confortável para nós humanos, mas para as aves poderia ser como uma gaiola de ouro. Está certo que é de ouro, mas é uma gaiola.

Preocupados, os profissionais já pensaram em abrir uma janela especial para os bem-vindos intrusos. Até um saco, desses de caçar borboletas, foi pensado para apanhar os pássaros que nos visitam no escritório da Anjo.

Lembro-me do tempo em que não se podia ver pássaros que tinham os que queriam prender e até aqueles que queriam matar. Talvez por isso foi que perdemos a confiança desses celestiais bichinhos. Lembro-me também de um passado recente onde quase não se via mais pássaros nas copas das árvores, no telhado das casas, nos fios de alta tensão.

Hoje os tempos são outros. Para muitos, nosso viveiro não tem limites, mesmo que inadvertidamente alguns pássaros possam entrar em locais pouco propícios. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre pássaros?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 26/03/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 27/03/2012.
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1 Comentários para "Pássaros"

  • Sergio Gonçalves Sardinha - 26/03/2012

    Vc ja pensou como o MUNDO seria tão triste sem os pássaros e a música. Arre coisa ruim hem.

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