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Beto Colombo

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Nesta pequena reflexão, quero escrever sobre o Pedrão. Você conhece o Pedrão? Provavelmente não, mas quando começar a escrever sobre ele, das suas histórias, das suas façanhas, logo vai lembrar dele, vai lembrar dos Pedrões e Pedras ao redor de você, em nossa história, alguns dos quais transformaram-se em mitos.

O Pedrão era um negro alto, esguio, simpático e falante. Um bom papo. Entrou em nossa empresa como profissional de chão de fábrica e rapidamente tinha chegado a um cargo de chefia. Era um líder feito, nem precisamos lapidar.

Era casado, tinha 8 filhos e depois que entrou na Anjo, já morava em sua própria casa. Está certo que era uma casa de madeira velha com três quartos, que ainda hoje se segura em pé sabe-se lá porque milagre. 

Católico praticante, ele, numa determinada ocasião, escreveu até uma letra para um padre famoso colocar música e gravar. O Pedrão era diferente na empresa e também na comunidade.

Um dia, disse-me, havia “se convertido”. Para ele, se converter era mudar de religião. E só o fez por sentir um chamado, por ouvir vozes indicando o caminho. E ele foi. Entregou-se.

Tanto foi que começou a operar alguns feitos inexplicáveis aos olhos da ciência e de muitas pessoas. Um dia, depois do horário na empresa, reuniu algumas pessoas embaixo de árvores nativas que temos na reserva local e fez uma “cirurgia” em um colega que tinha câncer e estava com os dias de vida contados.

“Ele retirou o câncer do seu Maneco”, comentou um daqueles que estavam junto com o Pedrão.  “Tanto fez isso que suas mãos estavam sujas de uma substância preta depois da sua interferência”, juraram outros. “Eu vi, eu estava lá”, confirmaram outros tantos. O que eu posso confirmar é que o seu Maneco nunca mais pediu para ir ao médico e seguiu sua vida.

Resultado: a rádio peão encarregou-se de, rapidamente, alastrar a “boa nova” e o Pedrão não teve mais sossego na empresa. Tanto que foi chamada sua atenção várias vezes e só parou, de vez, a busca dos colegas, de pessoas da comunidade por sua atenção quando ele deixou a empresa. Mas deixou a Anjo e logo formou a sua organização espiritual na sua própria casa. 

Mesmo com todo movimento, Pedrão continuava simples, concentrado, focado. Lembro-me de um dia encontrá-lo no mercado e o percebi com olheiras, mais magro, mas seus olhos brilhavam denunciando que se sentia no caminho.

A fama do Pedrão milagreiro, do Pedrão curador, se espalhou pela cidade, ultrapassou fronteiras. E muitos vinham ver o milagre daquele senhor de meia idade. O périplo de pessoas, até de estados, vizinhos concentrou-se na sua casa, a ponto do local ficar pequeno em pouco tempo.

Um dia, simplesmente, o Pedrão e toda a sua família sumiram do local onde moravam, levando consigo o endereço do novo paradeiro, pois ninguém no bairro sabe dizer para onde ele se mudou.

Lembrou de algum outro Pedrão ou Pedra em nossa história? O que diria de Joana D´Arc e Chico Xavier?

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre histórias como as do Pedrão?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 20/12/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 21/12/2011
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1 Comentários para "Pedrão"

  • Mhanoel Mendes - 20/12/2011

    Salve amigo, paz!
    Muito interessante o caso do Pedrão.
    Um louco? Um visionário? Um santo? Um curador? Um falsário? Um sábio? ...
    O fato é que na história da humanidade, sempre tivemos os "Pedrões" que, conforme a época, foram queimados, presos, cricificados.
    Que respeitemos os Pedrões e que eles possam, a seu modo, viver em paz e quiçá cuidando e curando que assim decidir.
    Um bom caminho a todos e que estejamos abertos aos Pedros e Pedras da vida.

    Mhanoel Mendes

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