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Beto Colombo

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Perdemos a Copa do Mundo, e daí?

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Já ouvi, por diversas vezes, muitas pessoas dizerem que para nós brasileiros é muito importante ganhar a Copa do Mundo. Aí vem a Holanda e acaba com o sonho dos 190 milhões de brasileiros. Opa, 190 milhões menos 1, pois esse não é meu sonho, talvez no máximo, meu desejo.

Algumas pessoas equivocadamente estão levando essa visão distorcida das disputas para as relações e para quase tudo na vida. Parece-me que o mundo se tornou uma copa do mundo, onde o mais importante é vencer, é ganhar. Talvez fazer bonito já seria suficiente.

Será que nas relações de amizade, relações entre pais e filhos, irmãos e irmãs, marido e mulher, precisam estar relacionadas a perder ou ganhar? Conheço pessoas que talvez, de tanto vivenciar as disputas como se fosse um grande campeonato de futebol, acham que até uma simples discussão familiar tem que ter um vencedor e quando estão com a razão atropelam o outro, diminuindo a um objeto a ser chutado. Outros tratam suas amizades como um escambo “veja bem amigo, nessa semana o jantar foi na tua casa logo, na próxima semana, será na minha”. Ou ainda: “Fiz um favor para um amigo e ele nunca me retribuiu com outro favor”.

Para algumas pessoas é assim que o mundo funciona, como um grande escambo, como um cálculo matemático a ponto de pesquisar se a garrafa de vinho que abrirá na sua casa se equivale ao preço da garrafa aberta na semana passada na casa do amigo convidado. 

A boa noticia é que isso não é certo nem errado se você funciona assim, se é assim que você vê o mundo. Agora, cabe aqui um alerta: lembre-se que nem todos funcionam desse jeito. Algumas pessoas, na estrutura de pensamento, esse tópico não tem peso nenhum, nesse caso ele não vai perceber que para o outro a retribuição é importante, ele simplesmente ignora por não estar estruturado desse jeito. Para aqueles que enxergam o mundo como escambo, ao se relacionar com pessoas que não vêem o mundo assim, acabam sofrendo, se magoando com esses amigos, com esses familiares, achando que é uma grande ingratidão do outro ou coisa parecida e na verdade não é nada disso, apenas esse tópico não tem peso nenhum na estrutura de pensamento dele.
Para mim, vida real é muito mais que um campeonato. Há milhares de anos a civilização ocidental é competitiva, e ser competitivo nos negócios, nos ambientes de trabalho, faz com que fiquemos mais ligados, sejamos mais criativos, inovemos mais, encantemos mais o cliente, mas que fique nisso. Não podemos fanatizar e levar isso até para os relacionamentos. Alguns empresários acham que o mais importante que ter uma empresa lucrativa é vender mais que o vizinho, mesmo que para isso se comprometa a saúde financeira da própria empresa.

Às vezes, quando ganhamos uma partida, achamos que somos “os caras”. Já vi a arrogância do sucesso destruir muitas relações e também muitas empresas. Já vi alguns campeonatos de futebol serem perdidos por esse motivo.

Penso que nas relações entre empresários, colegas de trabalho e também nas relações pessoais, a humildade deve se sobrepor ao achar que estamos sempre certos, imbatíveis e cegar-se aos sinais que a vida insiste em nos mostrar. No caso da seleção de Dunga, os sinais estavam visíveis na alteração de comportamento dos jogadores e ignorados pelo comandante. Estar no comando, para mim, é estar atento a tudo, (inclusive há sinais) o tempo todo, acreditando que poderá sempre melhorar. Um dia alguém melhor preparado vai aparecer e nos derrotar, lembrando que nem o Brasil, o Real Madrid e o Milan ganham todas. Se todas as outras lições não valeram, ao menos isso temos que aprender com o futebol.

Isso é assim para mim.

Estamos juntos
Beto Colombo
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Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 22/07/2010.

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