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Beto Colombo

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Prestando Contas

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Prestando Contas

Querido amigo, querida amiga, que você esteja bem e em paz. Hoje meu tema é prestando contas. Sim, explicando para você qual minha forma de escrever nesse espaço e qual critério sempre que menciono casos envolvendo pessoas. Jamais falo textualmente o nome delas, só faço isso, raras vezes, desde que seja com o consentimento delas.
 
Os textos aqui explanados são, na grande maioria, vindos de inquietações minhas, de observações feitas no cotidiano. Nos últimos tempos, tenho aguçado minha criatividade para ver algo onde não via, sentir coisas onde não sentia, enfim, tenho me aberto para o novo e ele tem se apresentado para mim de diversas formas. Parece que quando a gente se abre para vida, a vida se abre para a gente. Talvez também pela responsabilidade de escrever diariamente, alguns temas são mais e outros menos profundos. 

Mas não são só nas observações que me baseio. Uso filmes, viagens, livros, e-mails e até sugestões de pessoas encontro nos diversos lugares e cidades e que, cada vez mais, falam dos textos, ponderam, criticam, elogiam e até sugerem temas. Esta é uma parte gratificante do programa “Como o Mundo me Parece”. 

Mister se faz esclarecer que jamais citei o nome de alguma pessoa aqui neste espaço sem antes pedir o consentimento dela. Isso é básico para mim. 

Dia desses recebi um e-mail interessante de uma leitora. Ela dizia que, em geral, gostava muito de meus artigos, pois “são sempre assuntos interessantes”. Ao citar um dos meus escritos onde eu falava sobre uma paisagista que me encontrou num domingo à noite e veio conversar sobre trabalho, a leitora pondera que, para ela, não combinava comigo chamar a atenção, usando um meio de comunicação. Na sua avaliação, a paisagista em questão poderia ser uma pessoa conhecida na cidade e, assim, muitos deveriam saber de quem eu estava falando. 

Sobre a colocação dessa leitora, nada a reparar. Perfeito. Contudo, vale a pena esclarecer, como ressaltei no início desse artigo, qual meu método de escrever, minha forma de enfocar, meu jeito de mencionar casos, fatos e pessoas. 

Na grande maioria das vezes que cito o milagre sem dizer o Santo, ou seja, quando falo de uma situação sem citar o nome da pessoa, esta situação é mascarada. Se falo que encontrei uma pessoa na praia, você pode pensar sobre tudo, menos que aquilo tenha ocorrido na praia. Se falo que o fato ocorreu com uma arquiteta, você pode pensar em todas as demais profissões, menos a de arquiteto. Se digo que ocorreu com meu vizinho, é porque a pessoa em foco morava longe da minha casa. Se falo em Criciúma, pode ter ocorrido em Florianópolis e tantos outros lugares. 

O fato é que quando mencionei a paisagista no domingo à noite é porque, com certeza, não foi uma paisagista. Sempre escrevo mantendo a observação e o aprendizado que aquilo pode nos trazer, mas jamais relato o local onde de fato isso ocorreu. Até porque o nome e o local pouco importa, pois isso seria fofoca. O que realmente tem valor é o que poderemos aprender com o vivido. 

Portanto, querido amigo, querida amiga, não tenha dúvida que os meus relatos aqui nesse espaço são verídicos, mas tenha certeza de que eles não foram vivenciados no local e nem com as profissões aqui relatadas. E faço isso justamente para preservar os sujeitos protagonistas da história. Isso para mim é ética. 

Sobre o que as pessoas podem pensar e deduzir onde seja e quem seja? Bem, quanto a isso, não tenho e nem quero ter controle. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre meus artigos?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 05/06/2 e no Jornal A Tribuna no dia 06/06/2012.

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8 Comentários para "Prestando Contas"

  • Jô Lopes - 06/06/2012

    Boa noite, Beto...!
    É gratificante saber que você tem uma opinião sobre a questão da compreensão de algumas pessoas e que você vai continuar com o teu propósito de nos oferecer estes belos momentos de reflexões sobre as coisas da vida. Parabéns querido,por estas oportunidades que nos proporciona a mostrarmos um pouco do que temos.

  • jorge - 05/06/2012

    Dizem que a leitura é muito importante,abre novos caminhos e como todo bom livro,você começa e não quer mais parar,foi assim com teus artigos comecei e ainda não parei,mesmo sendo uma pagina por dia e melhor ainda com as paginas ilustradas com belas paisagens,parabens não havia nescessidade de nos prestar contas,sua unica divida é de nos presentear com seus grandes artigos todos os dias...

  • Celia Costa Ferreira - 05/06/2012

    Ao ler o título, perguntei-me: Prestando contas, de quê; Prestando contas, a quem? Eu lhe presto contas de que, após conhecer seu programa e artigos tenho aprendido muito. Os temas me levam a um estado de reflexão que me impede de comentar de imediato o que li. Gosto dos temas e da forma como os coloca. Da sua impostação de voz que prende a atenção do início ao final. Sinto-me como numa sala de aula onde o professor nos ensina como construir o nosso. “Como o mundo me parece” . Os comentários são como lições de casa, embora não sejam impostos. Mesmo quando não os escrevo, tenha certeza, minha mente fica em produção contínua e eu satisfaço minhas necessidades epistemológicas. Só tenho a lhe agradecer, pela qualidade e ética do seu trabalho.

  • Mariza Z. Niederauer - 05/06/2012

    "Quem sai na chuva pode ser molhar."Também já fui chamada para atentar a respeito de citações feitas em aula. Posso afirmar que, hoje, "piso em ovos" ao fazer referências. Nada como caminhar para aprender sobre o caminho. Um abraço. Mariza

  • ivo - 05/06/2012

    Beto! sobre o questionamento dessa pessoa acerca do encontro na praça o que passo lhe dizer: patientia est ars pacis, ou seja, a paciência é a arte da paz.
    Fraterno abraço e força por ai. Seus escritos de fato contribuem para contribuem na melhora do endereço existencial de muitas pessoas.

  • Juvenal Teixeira Moreira - 05/06/2012

    Seus artigos são fantásticos.Sempre que dá tempo,os leio.Falo muito deles com minha esposa e meus filhos,têm nos enriquecido muito.Também tem me orientado muito em meu trabalho como líder.Grande abraço!!!!

  • mARIA ZELIA CAVALCANTE DE oLIVEIRA re - 05/06/2012

    Realmente, professor Beto, aprendemos com a nossa vida, com a vida e a experiência do "outro". Há alguns anos atrás, enquanto criava e educava os meus cinco filhos; Graça, Greicy, gleyson, Glicya e Glaucy, criei o seguinte fragmento filosófico: O MUNDO, ENSINA NÃO EXPLICA! Acredito mesmo nessa condição, pois, muitas vezes, vamos compreender e aceitar certas CIRCUNSTÂNCIAS, na nossa vida, depois que aprendemos com as mais variadas experiências subjetivas ou não... Beto, gostei mesmo do seu artigo (sensato e objetivo)

  • Ulcinei - 05/06/2012

    Beto, creio que como voce disse, que nem semprem seus artigos são profundos, mas escuta-los faz bem. São minutos que damos uma arejada na mente. E coloca-nos a pensar em outras coisas, ter novas idéias. Saber escutar opiniões diferentes faz crescer.Bom dia

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