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Beto Colombo

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Profissão, namoro ou amizade

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Profissão, namoro ou amizade

Querido leitor, paz! Nosso tema para reflexão hoje vai ser sobre escolha de uma profissão. Em uma palestra sobre gestão que fiz há algum tempo na UNESC, lembro-me que um jovem me perguntou como foi que eu escolhi minha profissão. Que resposta difícil. Talvez eu tenha mais enrolado com ideias prontas que ouvi por aí do que com o que realmente aconteceu comigo, pois simplesmente ele me pegou de surpresa. Pensando um pouco melhor agora sobre o assunto, resolvi por no papel e enviar ao coordenador do curso que me convidou para a palestra. 

Na nossa casa, onde cresci junto com meus outros 12 irmãos, todos nós tínhamos nossas tarefas a serem realizadas desde muito cedo. Recordo-me que antes mesmo de aprender a ler e escrever, recebíamos uma enxada para carpir e uma pá para juntar esterco. Aprendíamos a ordenhar as vacas, domar bois para arar a terra, adubar, semear. Capinar e colher milho, feijão, mandioca, batata, melancia e assim por diante. 

Quando saí da roça e entrei no mercado de trabalho remunerado, o que eu queria realmente era ganhar dinheiro para continuar meus estudos, comprar roupas melhores. Tinha 11 anos quando fui trabalhar numa empresa de ônibus como almoxarife, depois fui descarregador de cimento, vendedor de sapatos, bancário e retornei como vendedor de autopeças e depois vendedor de tintas. 

Nessa corrida por profissões descobri o que não gostava de fazer e uma delas era capinar roça. Desde que larguei a enxada, aos 11 anos, nunca mais peguei no cabo de uma para fazer longas capinadas. Outro emprego que detestei foi trabalhar como bancário. Depois de passar pelos setores de compensação e contabilidade descobri que também não gostava desta área, embora fosse exatamente o estudo técnico que eu estava cursando. Em volta a estas experimentações e constatações, descobri que gostava mesmo era de trabalhar com pessoas e que meus melhores dias de trabalho foram aqueles em que vendia sapatos. Era isso, era um vendedor. E não deu outra, voltei a trabalhar com vendas e ficava cada vez mais realizado. 

Fiz esse pequeno relato de minha história para dizer que para eu me descobrir vendedor tive que namorar algumas profissões. Namorar sim, como fiz durante quatro anos para escolher a companheira que convive comigo desde 1982. Durante nossa jornada juntos, ora como vendedor de sapatos, ora de autopeças e tintas, descobri que passava mais tempo vendendo do que em casa. 

Para mim deu certo, de repente pode dar certo para você também: namorar o máximo de profissões possíveis, ou escolha uma área, como exatas, saúde, comunicação, administração e depois as profissões dentro das áreas escolhidas. Claro que não precisa dar expediente normal como eu fiz, há outros jeitos, por exemplo, se seu pai tem um conhecido que exerça uma profissão, que tal pedir para acompanhá-lo durante algumas semanas, tudo devagar, sem pressa, afinal é a tua vida e, às vezes, uma escolha errada te acompanhará durante dezenas de anos. 

Outra dica é fazer a sua escolha por exclusão. Mas quando você realmente tiver certeza absoluta, como no meu caso de que não queria capinar, roçar, descarregar cimento, contabilidade, não o faça por pré-conceitos. Como? Assim: mecânico suja as mãos, advocacia é para quem fala bem, economia é para especuladores, moda é para quem sabe desenhar, e assim vamos colocando defeitos em profissões sem antes conhecer direito como realmente é seu cotidiano. 

No meu caso, tenho interesse por filosofia, teologia, geografia e leio filosofia, teologia, geografia nos fins de semana e sempre que alugo um filme procuro assistir dentro desses temas. Economia, filosofia, história, psicologia, direito, penso que todos poderíamos conhecer um pouco sobre isso, mas não quer dizer que tenhamos que transformar em profissão. Agora, se você resolver que deva ser filósofo ou historiador, penso eu que aí não é só um interesse e sim uma vocação. 

Conheço duas amigas que se formaram em economia, uma porque o pai a matriculou e a outra porque era o curso mais barato e agora, com seus vinte e poucos anos, estão tentando corrigir o erro. Quando tocava numa banda de Criciúma, lembro-me de um fato que ainda ecoa dentro de mim. Ao ver que no camarote ao lado do nosso estava o cantor Djavan, um de nossos músicos falou emocionado ao cantor famoso: “Daria a minha vida para cantar como você”. Ao que Djavan prontamente respondeu: “Foi o que eu fiz”. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre como escolher uma profissão? É namorou ou amizade?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 19/06/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 20/06/2012.

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2 Comentários para "Profissão, namoro ou amizade"

  • Adilson - 19/06/2012

    Caro Beto!
    Ótima contribuição para o Mundo do Trabalho!
    Considerar os elementos da História de Vida traz um fundamento bem pautado para a escolha da profissão, via de regra ... é tocante ao leitor!
    Grato pela colaboração com o assunto.

  • Maria - 19/06/2012

    Oi Beto,
    Feliz de você que é do tempo em uma criança podia trabalhar !! Eu te pergunto ,hoje um criança de 11 anos pode sair para trabalhar em alguma empresa ??? Nos dias de hoje ,se os pais colocam os filhos numa responsabilidade um pouquinho mais árdua (obrigação )você sabe o que acontece com eles né !!!
    Sem contar que você já tinha um diferencial desde criança ,era ambicioso , vaidoso ,e para adquirir tinha que ir a luta !Abraços!!

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