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Beto Colombo

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Público e Privado

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Público e Privado

Querido leitor e querida leitora, que você esteja bem. Hoje vamos falar do público e privado.

Algumas pessoas próximas estão evitando participar de festas sociais, pois são fotografadas e, como sabemos e já refletimos várias vezes neste espaço, a nossa civilização, queiramos ou não, sempre está em movimento. Algumas sociedades, umas um pouco mais rápidas, outras nem tanto, há inclusive as sociedades mais atrasadas, mas todas elas em movimento. E o movimento traz mudanças, transformações, avanços - às vezes questionáveis. E um desses avanços é a internet.

Primeiro os computadores eram muito grandes e podiam armazenar poucas informações numa velocidade de tartaruga. Hoje se pode ter um computador de mão com armazenamento surpreendente. Junto com ela vieram os sites, as mensagens eletrônicas e, recentemente, as redes sociais. Falo especificamente do Facebook.

E aqui, justamente aqui no Facebook, me atenho e inicio pelo próprio nome: face, em inglês que quer dizer, face, rosto, cara. E Book que é indispensável traduzir, pois qualquer criança que está entrando na escola sabe a famosa frase: “The book is on the table”. Book é livro. Portanto, a frase, minha vida é um livro aberto, agora é realidade, pois o Facebook prova esse antigo ditado popular.

Público vem de “Respública” ou República, que é o momento em que o Estado deixa de ser monárquico para atingir os plebeus que, no caso, não eram tão plebeus assim, pois eram os burgueses, aqueles que viviam nos Burgos. Portanto, República quer dizer coisa pública.

Hoje, algo postado expondo as pessoas, torna o fato público e quase que instantaneamente. As imagens, oportunisticamente publicada como um aperto de mão de um político numa liderança apartidária da sociedade, podem ser confundidas como apoio ao parlamentar.

Também assuntos e encontros privados, como um jantar com familiares, o bolo ainda quentinho e o fato do sujeito ir ao banheiro, são “posts” que ecoam na rede de amigos, muitas vezes, sem permissão e expondo escancaradamente as pessoas.

Vale lembrar que não me refiro a Criciúma, Santa Catarina ou Brasil. Esta febre está em todo o nosso planeta onde tem internet. Absortas, muitas pessoas passam o dia expondo-se, querendo se mostrar. Há inclusive aquelas pessoas que só viajam, só passeiam se puderem publicar no Facebook. Parece que o prazer de viajar mudou para o prazer de postar e se mostrar.

Não temos mais quase privacidade, está tudo praticamente escancarado na rede mundial de computadores para, literalmente, todo mundo ver, ler e ficar sabendo. Nossas vidas viraram um Facebook aberto.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o público e o privado?

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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 23/11/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 24/11/2012.

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