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Beto Colombo

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Qualidade de Vida

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Recentemente tive uma experiência interessante que quero compartilhar com vocês. Na verdade, eu não fui o protagonista, fui sim um observador de uma transformação tão importante na vida de uma pessoa que acredito, tal exemplo não poderia ficar somente na família ou na reserva dos amigos. 

Eu conheci aquela pessoa – sujeito deste comentário - a beira-mar, num verão há cerca de 10 anos. Lembro-me bem: estava bem acima do peso, seu exercício era caminhar da sua casa até o guarda-sol, nunca antes das 11 horas da manhã. Bebia muita cerveja e dizia que chegava em casa e ia direto para a cama.

Aos poucos fomos nos aproximando por morarmos próximos, mas a amizade não engrenava, pois eu acordava mais cedo, caminhava na praia, procurava não exceder na bebida e nas besteiras tentadoras do verão. Embora sempre convidava, ele nunca podia e vinha com as desculpas de sempre.

Recordo-me que uma das queixas dele era de que nunca havia tirado férias, que se dedicava das sete da manhã às 10 da noite para sua empresa, que mal se alimentava, que, que , que... Seu olho era baixo, pele branca, meio que amarelada. Às vezes parecia mais um fantasma ambulante que um ser humano. 

Sua conversa era pra baixo, seu ânimo encostava no chão. Era perceptível que aquele ente estava ficando doente. Não deu outra. Há poucos dias o encontro novamente transformado. “Tive um princípio de enfarto e tive que fazer uma opção, decidi optar pela vida”, disse-me ele diante da minha surpresa ao que olhava. Vi um ser humano corado, esguio, coluna ereta e com vida em seus olhos.

“Precisei levar um grande susto para entender que aquele padrão de vida estava me levando à morte”, comentou ele. De acordo com ele, os sinais, que foram muitos e durante muito tempo, já não mais chamavam a sua atenção. “Parece que eu desafiava a vida e às vezes até buscava a morte”, confidenciou ele. Veio a doença e, com ela, a opção concreta a sua frente, ou decide pela qualidade de vida ou decide pela morte.

No final, depois de um forte e caloroso abraço e de expor minha alegria de vê-lo de volta a vida, cutuquei-o para caminharmos no dia seguinte. “Pode ser às cinco da manhã?”, perguntou animadamente ele. “Agora quem está achando muito cedo sou eu“. E demos uma gostosa risada.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre qualidade de vida?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 28/07/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 29/07/2011. Leia artigos inéditos nesse espaço a partir de março de 2011.
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2 Comentários para "Qualidade de Vida"

  • Iara - 19/01/2012

    Há pessoas que acham que viver bem, é não abdicar das coisas boas da vida, como comer e beber em excesso, embora eu ache muito bom isso e sabemos que realmente da um certo prazer nessas atividades, descobri a mais ou menos um ano atrás que se exercitar da um prazer muito maior e nos deixa renovada, e causa uma espécie de vicio.
    Por isso pessoal...exercitem-se, faz bem para o corpo e para a mente.

  • jorge - 14/01/2012

    quando encontro alguns amigos ou parentes que estão acima do peso,fumando,bebendo e alimentando-se de forma errada,sempre tento convencelos a mudar seus habitos,mas na maioria das respostas é sempre a mesma...à vida é curta tenho que aproveitar...se as pessoas pensarem dessa forma com certeza à vida será bem curtinha,portanto nós amigos e parentes temos que ser chatos e à toda hora pegar no pé,quem sabe um dia eles vão entender que nós só queremos o bem deles,e assim possam ter uma melhor qualidade de vida ....ao nosso lado.

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