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Beto Colombo

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Religiosidade e Espiritualidade na Terra Santa

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Queridos leitores, hoje quero falar com vocês sobre uma viagem que fizemos à terra santa em outubro de 2010. Depois de visitar os lugares sagrados pelo interior de Israel chegamos até a cidade santa de Jerusalém.

Em Jerusalém, iniciamos nossa jornada com uma visão geral da cidade, no cume do Monte das Oliveiras, conhecemos as milenares construções no Monte Moriá (o Monte do Templo), fizemos a via crúcis partindo da antiga Jerusalém até ao Gólgota (Calvário), onde Jesus foi crucificado. Ali se encontra a igreja do Santo Sepulcro. Visitamos o Museu do Holocausto e fomos ao Workshop na Universidade Hebraica de Jerusalém. Ali aprofundamos nossos conhecimentos em Levinas e Martin Bubber (assunto para outro artigo).

Cada lugar desses que passamos tivemos experiências marcantes, para alguns muito intensas, para outros menos, porém marcantes. Estudamos, a cada deslocamento, temas ligados a filosofia clínica e a peculiaridade de um povo que sofreu com seguidas invasões de sua terra,viveu duas Diásporas e mesmo tendo morado em dezenas de países manteve sua língua e costumes. Meu pensamento teimava em perguntar  “o que teria mantido a identidade desse povo?” Seria o fator religioso?

Quase todos esses lugares que citei são disputados por diversas religiões como no Monte Moriá, o Monte do Templo de Jerusalém, lugar sagrado para as religiões monoteístas, o cristianismo, judaísmo e islamismo. Aqui me permitem refletir com vocês o que penso sobre religiosidade e espiritualidade. 

Penso que quando você discute se o controle do Monte Moriá deve pertencer a esses ou aqueles crentes, você está discutindo religião. Quando você discute se a igreja do Santo Sepulcro deve pertencer e ser explorada pela Igreja Católica Romana, pela Igreja Ortodoxa Grega, Armênia ou Russa, todas acreditando no mesmo Cristo como filho de Deus e disputando aquele espaço, você está no campo religioso.

Quando você discute quem vai para o céu, quem vai para o inferno. Quando você discute se Deus é contra ou a favor da prática do homossexualismo, se é lícito pagar 10% ou 1% do salário em dízimo, você está discutindo religião.

Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria evolutiva de Darwin ou a criacionista da narrativa do Gênesis, se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Algumas pessoas precisam sim da religião para se ligar ou religar a Deus, porém, algumas pessoas não se ligam a Deus pelo campo religioso e nem precisam ir a uma igreja, a um templo feito de pedra para fazer suas orações. Para cada um é de um jeito e não há certo ou errado nisso.

O que tenho presenciado e aprendido é que na maioria das vezes que se discute religião, você afasta as pessoas uma das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A história é testemunha das Guerras Santas (guerras santas?). Provavelmente matou-se mais em nome de Deus do que  por qualquer outro motivo. Quantas ideologias religiosas dentro e fora do mesmo credo que serviram e servem para separar e distanciar irmãos. 

Talvez o problema seja que cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão a sua religião ou por querer que o outro deixe de existir enquanto outro, e se tornem iguais a eles, ou até fazem isso pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus. 

Assim como dentro do nosso grupo de filósofos clínicos que frequentam igrejas diferentes e comungam a mesma fé e também entre os peregrinos de Jerusalém, vejo que a maioria ultrapassou a placas de igreja, ultrapassou a discussão no campo religioso. Eles comungam da espiritualidade, aqui sim, a atenção e ação está em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, comum em todas as religiões. Quando você está com o coração cheio de espiritualidade e não de religião, você promove a justiça e a paz.

Em síntese, quando você vive na espiritualidade, você entra na igreja do Santo Sepulcro e comunga com evangélicos, espíritas, ortodoxos, judeus, islâmicos, budistas... pois a espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais da bíblia, do corão, de cada uma das tradições de fé e principalmente no respeito a diferenças entre os irmãos.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre religiosidade?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 22/09/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 23/09/2011
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2 Comentários para "Religiosidade e Espiritualidade na Terra Santa"

  • Gerson Ramos - 22/09/2011

    Em total conformidade com o meu pensamento, tive o meu sonho realizado nesta viagem e cheguei ás mesmas conclusões, devemos pensar a agir neste caminho.

    Ganso

  • Natália Chipollino Martinez - 22/09/2011

    Fantástica a forma como foi tratada a questão. Gostei muito do artigo...principalmente da frase: "Quando você está com o coração cheio de espiritualidade e não de religião, você promove a justiça e a paz"...
    Penso que vivemos em uma época em que devemos cultivar a união de pessoas e povos em pról do bem comum e as diferenças de religiosidade muitas vezes não permitem que isso ocorra.
    Suas palavras tratam o tema com excelência e grandeza.

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