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Beto Colombo

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Remédio

Querido leitor, aceite o meu fraternal e caloroso abraço. Hoje vamos refletir sobre remédio.

Como de hábito, sempre faço minha caminhada no final de tarde com pessoas conhecidas que têm o mesmo hábito que o meu. Desta vez foi com um querido amigo, falo de Ricardo Brandão. Realmente uma boa companhia, um bom papo e uma das nossas lideranças destacadas no campo da economia. Um empreendedor nato.

Quando caminhamos juntos, conversamos de tudo, menos de economia, de negócios. E foi em um desses assuntos que ele falou do seu problema ortopédico. Disse que tinha uma suspeita de hérnia de disco, mas depois de um exame mais apurado, acabou constatando que se tratava de uma inflamação nos tendões.

Até aí, tudo bem, tudo certo. Afinal de contas, muitas doenças começam a ser curadas quando se descobre qual a causa. Como remediar se não souber o que combater?

Qual não foi minha surpresa quando soube que o tratamento, ao invés de ser realizado com antiinflamatórios para combater a inflamação foi feito com um produto para estimular ainda mais o processo inflamatório. Na prescrição do médico, isso se fazia necessário, pois a inflamação, neste caso, seria benéfica, já que é encarada como uma resposta do corpo para fortalecer os tendões.

Claro que sabemos que a diferença entre o veneno e o remédio está na dose. Agora, constata-se também que o remédio pode vir do próprio veneno. Quando falo isso, quero dizer, por exemplo, que se você está sentindo repulsa pelo trabalho, talvez ela não seja pela sua ocupação, mas sim pelo número de horas trabalhadas por dia.

O remédio não pode só estar aqui, no veneno. Pode estar também no próprio remédio e este não quer dizer que é comprado nas farmácias. E sobre isso, quero dizer que quando passo na casa da minha mãe e sinto aquele cheirinho de bolacha e de pão que vem do forno a lenha, este cheiro pode ser um remédio.

Lembro também daquelas pessoas que ouvem música, pode ser clássica, gauchesca, rock, MPB, cada um tem sua receita. Estas músicas entram em seus corações acalmando, estabilizando e trazendo-os à homeostase. Isso, sem falar naquelas pessoas que sentem aquele cheiro adocicado do estrume de gado e logo fazem um deslocamento à gostosa infância rural, hoje vivenciada na selva de pedra. Ir à praia, para algumas pessoas, é uma espécie de remédio, enquanto que para outras é fazer uma viagem, degustar um tinto com um amigo querido, abraçar a companheira, um filho. Há tantos remédios em nossa história de vida quanto nas farmácias, às vezes o que aconteceu é que nos esquecemos de tomá-los em doses homeopáticas.

Refletindo sobre remédio, podemos perceber que o que mata, às vezes vive. Que o bem está no mal e que o remédio pode estar no veneno. Provavelmente, são escolhas que fazemos a partir de um conhecimento científico que é colocado a serviço da vida.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, como tem se medicado?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 04/07/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 05/07/2012.

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1 Comentários para "Remédio"

  • Jô Lopes - 06/07/2012

    Beto boa tarde !
    Os meus medicamentos são diversos e de acordo com as necessidades.Ex.:Para o meu corpo tomo alguns medicamentos;para minha mente e espírito,tomo várias doses de contemplação da beleza da natureza e da percepção sobre as pessoas,sobre a vida na sua plenitude de se mostrar em pequenos detalhes e nas orações e práticas humanas.Assim,sinto-me saudável para continuar a jornada da minha existência...

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